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A força das mulheres pela democracia em grandes atos no Rio e São Paulo

07/04/2016 às 11:01, por Rafael Minoro.

Intervenções delas no Circo Voador e na Praça Roosevelt colocam as mulheres na linha de frente na defesa da liberdade e da democracia

Com muitas apresentações artísticas e atividades culturais, mulheres de diferentes movimentos populares, sindicais, estudantis e coletivos do Rio de Janeiro e São Paulo ocuparam, na terça-feira (5), dois tradicionais espaços das cidades, o Circo Voador, clássico palco da música e da cultura brasileira, e a Praça Roosevelt, já referência das lutas do povo paulista.

Na capital de São Paulo, em clima de união, luta e solidariedade, as participantes ocuparam a Praça em defesa da democracia, ampliação de direitos e para denunciar também a violência e o machismo.

A atriz Maria Casadevall, moradora da região da Praça, fez questão de participar. (Veja aqui o vídeo)

Eu acredito que, como pessoa pública, acho muito importante estar aqui para que a minha figura não represente só a mim, mas a todas as mulheres que não têm voz e não podem ter o seu espaço garantido na mídia. É por isso que eu estou aqui e quero dizer que eu sou altamente contra o golpe, a favor da democracia e estarei em todas as manifestações a favor da liberdade“, mandou CasadeVall

O ato foi organizado pelo Comitê de Mulheres pela Democracia e contra o Golpe, que reúne centrais sindicais, entidades estudantis, movimentos feministas, frentes populares, artistas, professoras, comunicadoras e trabalhadoras de diversas áreas.

Teve poesia, bateria da Marcha Mundial das Mulheres, oficina de cartaz, teatro, dança, performance, músicas e leituras de manifestos. Subiram ao palco a Frente de Mulheres do Hip Hop, a Liga de Mulheres do Funk, as cantoras Luana Hansen e Preta Rara e muitas outras atrações.

A vice-presidenta da UNE, Moara Saboia, esteve presente para dizer que o golpe é também machista. (Veja aqui o vídeo)

As mulheres querem dizer que são contra o golpe porque somente na democracia conseguimos avançar e garantir nossos direitos, somente na democracia nós não teremos nenhum recuo sobre a vida e corpo das mulheres. Estamos aqui hoje também para dizer que esse é um golpe machista, que quer desqualificar a condição de uma mulher poder ser presidenta do Brasil“, alertou Moara.

MULHERES NEGRAS, MULHERES GUERRILHEIRAS

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Uma intervenção da União Brasileira de Mulheres (UBM) lembrou e homenageou as desaparecidas políticas que foram assassinadas pela ditadura militar. Um grupo de jovens subiu ao palco com cartazes e gritaram os nomes de Dina e outras guerrilheiras.

As mulheres em um grande sarau democrático afirmaram a importância da liberdade, do amor e da defesa da legalidade do mandato da presidenta Dilma Rousseff. A democracia é fundamental para o avanço das lutas feministas no Brasil. Nós precisamos aprofundar a conquista dos direitos das mulheres, e isso só será possível em uma sociedade democrática que permita que mais mulheres ocupem os espaços de poder para combater o machismo, a misoginia, e toda a forma de violência contra as mulheres”, declarou Maria das Neves, coordenadora de Juventude da UBM.

A atriz mineira Tula Pilar Ferreira interpretou durante o ato ‪ trechos de livros de Carolina Maria de Jesus. Ela recitou um poema seu em homenagem à escritora. “Toda mulher negra é uma Carolina”, disse. (Veja aqui o vídeo)

Uma das participantes foi Nenesurreal, conhecida pelos grafites que faz na cidade em que retratam mulheres negras, e que diz ser fundamental a mobilização da sociedade nesse momento. “Mais do que nunca as mulheres estão se posicionando em todos os setores e, nada mais justo, do que elas estarem aqui contra o golpe. E a arte, apesar de silenciosa, manda um recado direto”, afirma.

MULHERADA TAMBÉM TOMA O RIo DE JANEIRO

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Em uma noite marcante, pelo menos 3000 pessoas participaram, na terça-feira (5), do ato “Mulheres pela Democracia”, no Circo Voador, na Lapa. Sob os gritos de “Não vai ter golpe, vai ter luta” e “Fora Cunha”, as convidadas leram um manifesto a favor da democracia e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O documento pode ser assinado aqui.

Estamos nos ‘irmanando’ com a presidenta Dilma e com todas as mulheres eleitoras dela. Eu sou política, atriz, cidadã brasileira e já lutei contra a ditadura. É um golpe político, sim”, bradou a atriz Bete Mendes, que esteve presente ao Circo Voador e tem sido uma militante da liberdade e da democracia.

A diretora de Políticas Educacionais da UNE, Bárbara de Almeida Cardoso, disse que os estudantes irão em massa protestar nas ruas.

“A UNE se coloca contra o golpe e em defesa da democracia. Um processo de impeachment sem crime de responsabilidade é golpe. Se isso acontecer, os estudantes vão para as ruas ocupar todos os espaços e chamar a juventude”, disse.

As mulheres criticaram ainda a matéria principal da revista “IstoÉ” da semana passada. Para elas, a edição trouxe uma mensagem sexista.

A atividade no Circo Voador encerrou com uma ciranda e a música “Maria Maria”, de Milton Nascimento.

 

Com CUT e Agência Brasil
Foto1 Rafael Minoro / Fotos 2 e 3: Mídia Ninja

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