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A farsa online das universidades particulares

23/09/2015 às 12:14, por Renata Bars e Yuri Salvador .

Estudantes relatam abusos nas disciplinas à distância, precarização do ensino e falta de regras claras definidas pelo MEC e mecanismos de fiscalização

No dia 7 de junho deste ano, uma cena chamou a atenção nas redes. Após a plenária final do 54ª Congresso da UNE, em Goiânia (GO), uma foto da recém-eleita presidenta da entidade, Carina Vitral, circulou pela internet. Na camisa em que vestia, a frase “Fim das disciplinas online”. Sim, esse é um problema sério e que tem prejudicado muito a vida acadêmica do universitário das instituições privadas.

Denúncias de estudantes de todo o país mostram que o EAD, o Ensino à Distância – uma proposta importante para envolver as novas tecnologias –, tem sido pervertido em pura precarização do aprendizado. O MEC estabelece, por meio da Portaria 4.059 de 10/12/04, que os cursos presenciais podem ofertar até 20% da carga horária total do curso nessa modalidade. Algumas instituições, no entanto, ultrapassam esse limite ou definem como online as matérias que deveriam ser obrigatoriamente presenciais. É a lógica do gastar menos e ganhar mais, bem típica dos empresário da educação, os tubarões do ensino.

ABUSOS

Estudante do 3º semestre de Serviço Social na Universidade Nove de Julho (Uninove), em São Paulo, Iara Gebara, 26, relata que, das cinco matérias que seu curso oferece mensalmente, já chegou a ter duas (40%) no modo online: “Conversamos em sala e levamos esse caso à coordenação, que foi obrigada a ceder, e retornar a oferecer apenas uma matéria à distância”, conta. Segundo ela, o 2º semestre de seu curso atualmente oferece três matérias online (60%),  e apenas duas presenciais, além de oficinas que deveriam ser presenciais, porém são realizadas à distância.

Em outra instituição da capital paulista, na Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), uma aluna, que não quis se identificar, conta que o curso de Psicologia oferece a matéria de Cálculo no modo não presencial. “Trata-se de uma disciplina em que a presença do professor é indispensável. Além disso, somos também obrigados a estudar Filosofia e Sociologia à distância. São matérias que envolvem discussão em sala, o desenvolvimento de um pensamento crítico, conteúdos que não dependem somente da leitura”, protesta a estudante.

REGULAMENTAÇÃO

O problema envolvendo as disciplinas on-line entrou de vez no radar do movimento estudantil. A presidenta da União Estadual dos Estudantes (UEE-SP), Flávia Stefanny, ressalta que a entidade tem aberto diálogo com as universidades e pautado o tema na perspectiva da reforma universitária. “Além disso, mobilizamos os estudantes para fiscalizar essa prática. É necessário regulamentar essas aulas e definir quais matérias podem ou não ser online, pois, afinal de contas, aqueles estudantes contrataram um curso presencial para estudarem”, pontua.

Matéria originalmente publicada no Jornal Nossa Voz

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