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A “Escola Sem Partido” e o conservadorismo na educação

16/06/2017 às 18:25, por Cristiane Tada / Foto: Henrique Silveira.

Tema "Escola Sem Partido" foi debatido durante 55º Conune
Foto: Henrique Silveira

Mesas da Educação do 55º Conune discutem as contradições do Ensino Médio e a Licenciatura

Barrar os retrocessos atuais na educação brasileira. Esse é o maior anseio dos convidados e convidadas que participaram, nesta sexta (16) dos debates no Congresso da UNE, em Belo Horizonte.

Na mesa  Escola Sem Partido X Educação Emancipadora a secretária de Educação do Estado de Minas Gerais, Macaé Evaristo, destacou que o projeto Escola Sem Partido quer censurar pautas fundamentais para a formação cidadã e que uma educação plural deve recusar essa proposta. Ela também criticou o avanço de uma visão de ensino refém, estritamente, do poder econômico.

“A ideia de que a escola deva se guiar pelos interesses do mercado e do capital, e que para isso precisa ser privatizada, é de setores que querem destruir a escola pública e fazer com que os recursos públicos sejam drenados para empresas privadas. Este ideário da privatização está imbricados nesta censura de tudo que se faz na escola pública”, destacou, criticando o Escola Sem Partido.

A opinião da vereadora em SP pelo Psol Sâmia Bonfim foi ao encontro da educadora e afirmo que o projeto é voltado ao capital.  “Visa colocar uma lógica conservadora nas escolas mas também responde a uma lógica da crise econômica que quer formar massa para o mercado. É a precarização do trabalho da juventude e da futura classe trabalhadora do país, formando trabalhadores sem qualidade e sem formação reflexiva”.  Para Sâmia a saída é sempre saber quem são os nosso inimigos e enfrentar esses setores conservadores. “Por isso, temos que ter unidade para compor a greve geral no próximo dia 30”, acrescentou.

“Escola sem partido persegue o pluralismo”

Já a ex-vereadora do Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS), Amanda Gurgel, falou para um auditório lotado de estudantes de licenciatura que é preciso nos reconhecer como categoria e entender que existe um ataque e não apenas aos direitos trabalhistas e condições de trabalho, mas também moral dos educadores.

“Não tem como destruir a escola pública e avançar na privatização se não derrotar moralmente e ideologicamente os professores. Eles querem uma categoria amedrontada, vigiada. Não existe outra forma além da luta organizada desde a licenciatura e unidade da comunidade escolar “.

A presidenta da UBES, Camila Lanes criticou a falta de interesse do governo federal em debater com os estudantes e o atraso no tempo em que está a escola pública. Ela afirmou que a Escola Sem Partido persegue o pluralismo de ideias bem como confunde a educação escolar formal com a educação que eles recebem pelos pais.

“Os secundaristas acumularam uma experiência muito rica nas ocupações de mais de mil escolas e a luta por uma educação emancipadora é presente no Brasil. No próximo semestre vamos precisar nos unir e se for preciso ocupar tudo de novo. O Temer nos teme, mas nós não tememos o Temer”

Contexto de crise

O professor da UFRJ,  Josué Medeiros, disse que o contexto político atual é o que faz tais propostas chegarem à tona. Para ele, as elites fizeram da crise econômica um momento menos direitos e mais desigualdade. “Neste contexto o conservadorismo tem uma vantagem sobre nós, porque apresenta respostas muito apelativas”.

Segundo Medeiros, só produzindo mais democracia é possível combater tais efeitos. “Educação emancipadora é o que vocês tem feito nas ocupações refazendo a vida nessas escolas e universidades ocupadas, não é pouca coisa a pedagogia que a luta produz, não só no discurso, mas na prática cotidiana”.

Reformar é preciso, mas não qualquer reforma

Outra mesa no Congresso debateu a Base Curricular Comum. Um dos pontos principais foi a necessidade de se garantir financiamento e estrutura da educação pública para ser coerente com a escolha sobre os conteúdos da sala de aula. Na opinião dos estudantes, não há como pensar um novo currículo uma escola sem merenda e sem estrutura.

Para o deputado federal Reginaldo Lopes (PT) todos aqueles que defendem a educação devem exigir a revogação da PEC 55, que congela os investimentos no setor por 20 anos. Ele lembrou que tal medida é inconstitucional e fere gravemente o pacto de cidadania da carta magna brasileira, firmado em 1988.

“Todo esse nosso enfrentamento nesse um ano de golpe é defesa da Constituição, querem rasgar as leis trabalhistas e o direito previdenciário público porque querem na verdade desmontar a Constituição. O que está em jogo agora, de forma conduzida pelo mercado financeiro, é o discurso de que a Constituição não cabe mais no orçamento público brasileiro”, criticou.

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