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CUCA: “A cultura é uma dimensão importantíssima da luta política”

04/01/2017 às 13:49, por Cristiane Tada.


Coordenadora do Cuca da UNE fala sobre os preparativos para a 10ª Bienal da UNE que começa no fim de Janeiro

Faltando menos de um mês para a 10ª Bienal da UNE a coordenação do Circuito Universitário de Cultura e Arte, o Cuca da UNE, se desdobra nos preparativos para receber cerca de 10 mil estudantes de todo o Brasil que vão compor a maior mostra universitária de arte da América Latina. Conversamos com a coordenadora do Cuca, Patrícia de Matos, e ela falou um pouco sobre as expectativas para esta edição, sobre o Ceará, e o papel de da Cultura na luta política. Leia a entrevista e inscreva-se!

 

esta bienal realizada sob um governo ilegítimo deve ser bem diferente das últimas edições. Como você avalia isso?

De fato, é um contexto bem diferente das últimas bienais. Na última, por exemplo, a gente convidou o ministro da época, o Juca Ferreira, e aproveitamos para falar do que a gente queria para a cultura naquele momento. O CUCA da UNE, entidade que eu coordeno, é ponto de cultura e naquela ocasião reforçamos a opinião de que era uma necessidade voltar a dar prioridade ao programa. Nos somamos, ainda, na elaboração do que seria o programa “Mais cultura nas universidades”, que se desafiava a pensar o projeto da universidade que queremos tendo como um eixo central a cultura e arte como forma de radicalizar o processo de democratização da universidade, isso a partir da afirmação de identidades e fortalecendo a conexão universidade – territórios, pensando a elaboração participativa de planos de cultura para as universidades. Chegamos até a pensar em conselhos com a participação da comunidade acadêmica e das representações de outros território como favelas, comunidades tradicionais e outros.

Mas acredito que por mais que a gente tenha perdido de vista uma abertura do Estado para pautar políticas públicas com um caráter democratizante, a cultura continua sendo um ambiente, à revelia dessa institucionalidade, de importante atuação dos que lutam por um mundo e um Brasil melhor.

A Cultura teve seu papel de resistência e força de mobilização comprovado durante o ano de 2016. Como você acha que será 2017?

Como eu disse, acho que a cultura é uma dimensão importantíssima da luta política. Digo isso porque, logo após o golpe, foi o movimento cultural, artistas e coletivos (aliançados com as organizações sociais, como nós) que deram um primeiro grito de resistência ao ocupar dezenas de instalações do Ministério da Cultura. Antes disso já tinham ocorrido vários atos do cinema, do teatro, da música e da cultura como um todo pela manutenção da democracia. Acredito que esse movimento que se criou (o das ocupações) além de cumprir um papel de resistência à interrupção democrática foi se tornando, ele mesmo, um laboratório. Isso porque as ocupações reuniram uma “fauna” (vamos dizer assim) de agentes e organizações que não tinham o costume de atuar tão juntas (das periferias, dos povos tradicionais, acadêmicos, artistas, coletivos, organizações tradicionais do movimento social) e todas elas tiveram que viver sob o mesmo teto, uma mesma bandeira e se “virando” para criar uma arquitetura de organização capaz de dar conta dessa diversidade. Sem dúvida esse foi um legado muito importante desse movimento de ocupações.

Você já conhecia Fortaleza? Pra você qual a característica marcante que o Ceará vai incutir nessa edição?

Então, eu já conhecia, claro que não como agora, rs. Eu vim em Fortaleza pela primeira vez na ocasião da realização da Feira da Música de 2014, um evento importante para a cena musical do nordeste brasileiro, inclusive.
O Ceará é um estado riquíssimo, cheio de história e nostalgias também.

Mas se eu pudesse falar de uma coisa que meio que sintetize o nosso sentimento em realizar a bienal aqui é o de entender Fortaleza como a capital de um estado, mas ao mesmo tempo como parte da periferia do Brasil. Não porque Fortaleza se posicionou dessa maneira, mas porque a desigualdade, inclusive do ponto de vista da cultura, sempre foi uma marca do nosso país, embora aqui tenham sido produzidas coisas avançadíssimas, nas mais diversas áreas.

Por exemplo, aqui em Fortaleza já existia o que chamam de os princípios do modernismo brasileiro cerca de 3 décadas antes da semana de arte moderna de 22. Foi a cidade chamada de “cidade da luz” também por conta da chegada do iluminismo aqui. Eu acho que isso já é o suficiente para justificar o casamento do tema da bienal “Feira da Reinvenção” com esse lugar. Além de trazer o elemento da feira como uma tradição do nordeste, onde surgiu figuras como o Patativa, a ideia de feira como “broto” de civilizações. Pra gente Fortaleza nesse momento é uma espécie de farol para a gente seguir em frente.

Você gostaria que essa 10ª Bienal da UNE ficasse marcada como a Bienal da…?

Da reinvenção. Acho que não tem outro nome, por mais óbvio que pareça. Sempre tive e acho que tivemos todos nós envolvidos fortemente na produção de um evento como a bienal o desejo de que ela tivesse essa importância para uma entidade que, inclusive, é a mais antiga e jovem ao mesmo tempo.

Vamos chegar nos 80 anos da UNE com ela posicionada, mais uma vez, no olho do furacão da luta política brasileira.

A UNE sempre teve lado e sempre foi republicana e acho que é o momento de se reinventar para continuar fazendo a luta do nosso tempo.

Você já deu uma olhada nos trabalhos inscritos? Dá para adiantar um pouquinho pra gente o que podemos esperar?

Então, deu pra dar uma sacada sim, mas não podemos comentar por hora, pelo menos antes que os trabalhos sejam selecionados, rs. Mas se eu pudesse adiantar algo diria que é incrível como os trabalhos estão falando com o que propomos em termos de conceito para as mostras.

A gente fez uma opção por, ao invés de homenagear pessoas, homenagear movimentos artísticos. E acho que a nossa geração está, como um todo, mais preocupada com essa questão. Além de obras isoladas pensar em processo coletivo, movimento, criatividade e inovação. É um bom recomeço.

Falta muita coisa ainda? Como estão os preparativos?

Olha, um evento com a dimensão da bienal sempre é um desafio, uma correria só. Tem milhares de estudantes que chegam de todo país e só isso é uma logística gigantesca, além das dezenas de apresentações artísticas, debates, oficinas, materiais, etc. Mas acredito que a gente ta chegando naquele momento em que a bienal de fato sai do papel e vai ganhando forma. Nos próximos dias, inclusive, soltaremos as primeiras atrações. Como costumam dizer os cearenses o tempo todo: vai dar certo!

Faça sua inscrição no evento: http://inscricao.une.org.br
Se inscreva na Cobertura Colaborativa: bit.ly/coberturacolaborativabienal

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