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A América Latina na luta por uma educação pública e gratuita de qualidade

31/08/2015 às 17:08, por Cristiane Tada.

Nas últimas semanas estudantes uruguaios e chilenos (foto) se mobilizaram  

Na última semana manifestantes no Uruguai e no Chile movimentaram as ruas das suas nações em protestos que mobilizaram milhares de estudantes, professores e profissionais da área de ensino.

Em Montevidéu a reivindicação foi pelos  6% do PIB para a educação e contra o decreto presidencial da essencialidade da educação – que torna o serviço essencial assim como a saúde e proíbe os setores da categoria de entrarem em greve.

Já no dia 14 de agosto, dia tradicional de luta para o movimento estudantil uruguaio, além de lembrar seus líderes mortos os estudantes já se mobilizaram pelo financiamento da educação pública em razão da votação do orçamento do país.

Agora no ato realizado no dia 27 de Agosto novamente organizado pela Federación de Estudiantes Universitarios del Uruguay (FEUU), pela  Coordinadora de Estudiantes de Enseñanza Media (CEEM) e sindicatos da área da educação cerca de 60 mil pessoas compareceram as ruas. A manifestação terminou em um ato cultural em frente do Palácio Legislativo, na Praça Primeiro de Maio, organizado pelos estudantes secundaristas.

Em virtude dos protestos os estudantes uruguaios obtiveram uma grande vitória. O presidente do Uruguai, Tabaré Vásquez, acabou de assinar o decreto que anula a essencialidade.

No mesmo dia no Chile, a mobilização aconteceu nas 10 principais cidades do país, como Valparaíso, Santiago do Chile, Concepcion e Temuco. Mais de 80 mil estudantes, professores e trabalhadores da educação, pressionam o governo que se elegeu com a bandeira da Reforma educacional que vai além da gratuidade.

A Marcha Nacional para construir uma educação pública tem lutado por anos para transformar o modelo de mercado herdado da ditadura, com um norte: a educação pública.

“Atualmente a educação no Chile é baseada num modelo de educação mercantilizada. Em algumas universidades até mesmo públicas, algumas faculdade chegam a custar até 8 mil dólares por ano para o estudante”, afirmou Javiera Reyes, vice- presidenta da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECH).  De acordo com Reyes o projeto de educação que os estudantes querem, prevê a proibição do lucro para as instituições privadas e fortalecimento das instituições do Estado, com transparência e democracia.

Também no ensino básico menos da metade dos estudantes tem escola pública e gratuita no país.

O Ministério da Educação do Chile afirmou que o projeto de gratuidade do ensino superior vai entrar em votação até o fim do ano. É um avanço, mas ainda  não se trata das profundas reformas pelas quais os estudantes chilenos lutam e que a presidenta Michelle Bachelet  assumiu o compromisso de implementar antes de ser eleita.

Bachelet explicou que a gratuidade do ensino superior terá critérios específicos e atingiria uma parcela dos estudantes a partir do ano que vem e a partir de 2020 de forma universal.

Por isso o governo anunciou a criação de um Conselho Consultivo para ajudar a formatar uma nova política de educação superior. A proposta ainda não é a esperada pelos estudantes.

O representante da UNE e secretário da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae) Rafael Bogoni, enxerga muita unidade da pauta educacional da América Latina .

“As lutas dos estudantes do Chile, Uruguai e a luta pela reforma da Lei de Educação Superior da FUA e dos estudantes argentinos, vão em direção às bandeiras defendidas pelos estudantes brasileiros e de toda a América Latina e Caribe. Investimento e reestruturação. Garantir uma educação pública e gratuita de qualidade. As bandeiras da Reforma de Córdoba se mantém atuais”, avaliou.

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