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92 e 2016, as diferenças que marcam um golpe

03/06/2016 às 16:30, por Renata Bars.

II Salão do Livro Político debate as diferenças entre o impeachment de 92 e o golpe de 2016, bate-papo reuniu convidados como o ex-ministro Ciro Gomes e a presidenta da UNE, Carina Vitral

Na noite da última quinta-feira (2), o 2º Salão do Livro Político, evento que acontece no Centro Cultural São Paulo – zona sul da capital paulista – até esta sexta, foi palco do debate intitulado ”O Impeachment de 1992 e o golpe de 2016”.

Com a plateia lotada, o ex-ministro Ciro Gomes, o professor e economista Márcio Pochmann, o jurista e também professor da USP Alysson Mascaro e a presidenta da UNE, Carina Vitral falaram sobre a atual crise de representação política no país.

Foi consenso entre os debatedores que o impeachment de Fernando Collor em 1992 foi construído com base em evidências irrefutáveis de crime de responsabilidade fiscal, como a compra do famoso ”Fiat Elba” e também, a unidade do país naquele momento contra o então governo.

”No caso de Collor houve uma consonância absoluta no país. Não havia divisão entre um Brasil reacionário e outro progressista como vemos hoje. Ele realmente conseguiu essa proeza, além de ter o crime de responsabilidade caracterizado”, falou Ciro Gomes.

Ciro lembrou que o golpe de 2016 é uma revogação da Constituição de 88. ”Uma prova disso é que nenhum chefe de estado ligou para o Temer”, brincou.

JUVENTUDE COMO TERMÔMETRO

Em 1992, a UNE foi uma das mais importantes entidades que encabeçou o Fora Collor, movimento que levou milhares de jovens caras-pintadas às ruas de todo o Brasil pedindo a saída do então presidente Fernando Collor de Mello.

A presidenta da UNE lembrou que a coerência da história da União Nacional dos Estudantes é estar ao lado da democracia.

”As ruas de 92 e 2016 são muito diferentes. Naquela época como havia convencimento de toda sociedade, a juventude foi pra rua, principalmente os estudantes secundaristas, estes mesmos que hoje ocupam escolas para defender a educação”, salientou.

Para a líder estudantil a juventude continua sendo o maior termômetro de mobilização social.

”Nas manifestações pró-impeachment da presidenta Dilma, não havia juventude nas ruas. Não havia juventude do lado da direita, eram pessoas em sua maioria brancas, de classe média alta, composta por adultos ou idosos. Isso é muito simbólico e mostra que a juventude é o termômetro de uma nova cultura política que está surgindo em nossa sociedade”, concluiu.

CRISE DO CAPITAL

Os professores Márcio Pochmann e Alysson Mascaro foram contundentes em suas falas quanto à influência da crise do capitalismo na política ao redor do mundo.

”Há uma transformação profunda no capitalismo global e também no brasileiro – este, desde 1981 sofre um ciclo de declínio, uma queda dramática da burguesia industrial com descenso da economia. E o que o capitalismo nos aponta como futuro é a continuidade da hegemonia financeira e isso não constrói um país”, enfatizou Pochmann.

Para Mascaro, há uma crise no capitalismo global que não consegue fechar as contas. ”É uma dinâmica geopolítica do capitalismo que não vem fechando as contas há tempos. A Europa já não consegue mais fechar as contas em muitos países. Há uma crise de acumulação e o povo sofre desgraçadamente. Perdemos o povo para a ideologia do capital e por isso temos que ter em mente que falar, olhar no olho do outro é um dístico da esperança: se falarmos claramente a linguagem que o povo entende nós não somos nem sequer milhares somos milhões em favor da democracia”, disse.

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