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6º EME: para transformar a universidade

02/05/2015 às 18:10, por Renata Bars, de Curitiba.

 

Encontro debate a importância do feminismo para combater o machismo na esfera acadêmica

Qual a universidade que queremos para nossas mulheres? Essa questão foi debatida na manhã deste sábado (2/5) durante o segundo dia do Encontro de Mulheres Estudantes da UNE (EME) que acontece na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba.

Estavam presentes para a discussão a coordenadora da União Brasileira de Mulheres (UBM), Lúcia Rincon, a representante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Maria Júlia, a ex-diretora de mulheres da UNE, Liliane Oliveira e a diretora de direitos humanos da UNE, Camila Souza.

Sob o tema ”As mulheres transformando a universidade e o enfrentamento às violências”, as convidadas expuseram seus olhares sobre a atual situação das instituições de ensino no Brasil e fizeram reflexões sobre o futuro da academia para que esta seja um local de igualdade e respeito.

Para a representante da UBM, a construção de uma universidade igualitária passa por entender que ela é constituída pela diversidade. ” A educação que vivemos dia a dia precisa reconhecer a diversidade. O discurso hegemônico da mídia tenta nos padronizar, mas nós como professores e professoras, alunos e alunas precisamos enfrentar esse discurso e tomar partido. As mulheres tem suas necessidades, como creches, políticas de enfrentamento à violência e a universidade tem que enxergar isso”, pontuou.

MACHISTAS NÃO PASSARÃO!

Os casos de estupro na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) que emergiram recentemente na mídia também foram lembrados como exemplo da submissão ainda imposta às mulheres no meio acadêmico.

”Os casos na USP não são casos isolados. Os trotes machistas, racistas e violentos ainda predominam em grande parte das universidades. O que aconteceu desta vez é que tivemos mulheres empoderadas para poder ir em frente e dizer que elas tinham sofrido estupro. Isso não acontecia com a mesma grandiosidade no período anterior. Essas mulheres tiveram coragem de colocar a cara na rua e construíram uma CPI puxada pelo debate feminista”, falou a diretora de direitos humanos da UNE.

O atual processo na USP foi aberto em dezembro, após depoimentos da CPI da Assembleia Legislativa de São Paulo que investigou o trote universitário.

”O modelo atual de universidade está a serviço do patriarcado e das elites brasileiras. Os trotes violentos são uma maneira de domesticar as mulheres. Por isso, nós não podemos abrir mão das nossas lutas se queremos mudar essa realidade de violência. Precisamos pensar nossas pautas específicas para construir um projeto da universidade ideal. Queremos as mulheres livres para poder terminar seu curso em segurança e transformar a universidade”, falou Maria Júlia, representante da MMM.

Para a ex-diretora de mulheres da UNE, espaços como o EME impulsionam e reforçam a luta das mulheres. ”Nosso lema é paz entre as mulheres e guerra ao patriarcado. Estar aqui discutindo tais assuntos nos organiza e nos fortalece para seguirmos em frente transformando as universidades do país”, falou.

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