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5º Enune: convidadas discutem representatividade da mulher negra no feminismo

07/08/2016 às 8:53, por Renata Bars.

Dívida histórica do movimento feminista foi colocada em cheque e incendiou o debate em Salvador

A porta de entrada para a militância de mulheres negras pelo empoderamento e reafirmação de suas identidades tem sido, em alguns casos, o movimento feminista, tema de debate do último sábado (6) no 5º Enune, que se encerra neste domingo, em Salvador. A edição já se consolidou como uma das maiores realizadas pela UNE e impressiona pela maioria de mulheres presentes.

”Há muito tempo não se vê no Brasil uma plenária onde mais da metade é composta por mulheres negras e jovens como aqui. É visível a maioria de meninas e isso é maravilhoso”, comentou Makota Celinha, coordenadora do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab), ao abrir sua fala no debate.

Participaram também a representante da União Brasileira de Mulheres (UBM), Maria das Neves, a diretora de mulheres da UNE, Bruna Rocha, e a integrante da UEE-SP, Andréia Mendes.

A discussão permeou o feminismo em suas várias épocas e levantou questões importantes como a invisibilização da mulher negra e a dívida histórica do movimento feminista moderno com essas mulheres, historicamente privadas de direitos e participação social.

”O feminismo moderno nos deve muito. Se o feminismo hoje chegou onde está é porque uma negra sem direito nenhum estava na casa de uma branca a cozinhar. Infelizmente o movimento não dá conta de entender isso. Por isso, nosso papel segue sendo de luta. Encruzilhada pra mulher negra não é o fim. É possibilidade de adentrar e construir novos caminhos”, destacou a coordenadora do Cenarab.

Resistência é palavra de ordem

Foi consenso entre as convidadas não ser possível deixar de lado o que a história fez às mulheres negras. Contudo, a resistência e luta foram apontadas como forma de conquistar espaço e empoderamento.

”Nós estamos permanentemente nos defendendo de um mundo de violências qe nos é colocado. Enquanto resistimos também somos atacadas. Mas não estamos apenas na defensiva enquanto ocorrem estupros coletivos, invisibilidade, solidão. Nós vamos pra cima do patriarcado e do machismo a cada vez que ocupamos as ruas, entramos nas universidades, fazemos arte e cultura. A mulher negra resiste sim como sujeito político ativo e consegue ser muito protagonista no processo de resistência do povo brasileiro”, falou Bruna Rocha.

Maria lembrou a importância de movimentos como a Marcha do Empoderamento Crespo e a recente Marcha da Mulher Negra, realizada em São Paulo.

”Popularizar o feminismo é fundamental e essas marchas mostram toda nossa força. O feminismo tem que ser negro, periférico e popular para empoderar as mulheres pretas”, finalizou.

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