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54º CONUNE: PLENÁRIA FINAL DEFINE DIRETRIZES DA UNE PARA O PRÓXIMO PERÍODO

12/06/2015 às 17:11, por Renata Bars.

Lutas contra o ajuste fiscal e a redução da maioridade penal foram destaque

O 54ª Congresso da UNE, que aconteceu de 3 a 7 de junho na cidade de Goiânia, foi composto por intensos debates acerca dos mais importantes temas relacionados à juventude brasileira.  Sua plenária final tomou conta dos dois últimos dias do evento com a definição das diretrizes da entidade para o próximo período e a eleição da paulista Carina Vitral como nova presidenta.

Carina foi eleita pela chapa “O movimento estudantil unificado contra o retrocesso em defesa da democracia e por mais direitos”, que obteve 2.367 dos votos de um total de 4.071, o que representa 58,14%.

Também participaram da eleição a chapa “Eu acredito que você vai gritar junto”, que obteve 34 votos; a chapa “Campo popular que vai botar a UNE pra lutar”, que obteve 724 dos votos; a chapa “Contra os cortes. Coragem para lutar”, que obteve 242 votos; e a chapa “Oposição de Esquerda”, que obteve 704 votos.

MOÇÕES E RESOLUÇÕES

Ao todo foram três resoluções aprovadas (conjuntura, movimento estudantil e educação), três propostas aprovadas em consenso e 13 moções sobre diversos assuntos como, por exemplo, apoio à greve dos técnicos e docentes das federais, apoio às greves dos professores estaduais de São Paulo e Paraná, e contra a redução da maioridade penal.

Você pode conferir e baixar os documentos aqui.

A plenária final também definiu a luta da UNE em torno do combate à redução da maioridade penal e contra o ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy, lutas essas que culminaram na ocupação do Ministério da Fazenda e à manifestação contra a redução na Câmara, de onde os estudantes foram covardemente expulsos sob gás de pimenta, no inicio desta semana.

CONUNE DE TODAS AS VOZES

Com mais de 10 mil estudantes, a 54ª edição do Conune foi uma das maiores realizadas pela entidade. Para evidenciar a pluralidade encontro, a equipe de comunicação da UNE ouviu alguns dos jovens presentes. Confira abaixo o depoimento destes que ajudam a construir as lutas do movimento estudantil:

Interiorização das universidades

jonas

Jonas da Silva, 21 anos, História na Universidade Estadual da Paraíba
(UEPB)

”Eu espero que minha universidade tenha mais a cara da povo. Eu espero que a educação tenha uma evolução tão grande que o ensino superior possa estar em todos os cantos desse Brasil, até o interior mais distante. Se nós conseguimos aprovar os 10% do PIB para a educação devemos lutar para, de fato, consagrar a nossa conquista.”

Uma universidade de todos

rafael

Rafael Sebba, 24, Sociologia, UnB (DF)

“Eu espero que a universidade cumpra uma função emancipadora para as pessoas, um papel social de fato. Muitas vezes se tem uma concepção de universidade que é meramente voltada para a lógica de mercado. A pessoa se forma e, depois, procura seu emprego e toca sua vida. As universidades sempre foram um espaço de questionamento, de inovação, de pensar os problemas das cidades, de propor novas soluções e de ajudar a erradicar a desigualdade gritante que temos no país. Nós, estudantes e academia como um todo, temos papel central nesse processo.”

Consciência Política

daiana

Daiana Costa de Jesus, 24, pedagogia na Uneb (BA)

“A gente está passando por um momento difícil na minha universidade, com dois meses de greve. Os professores, em conjunto com os estudantes, reivindicam mais recursos na universidade. Venho de outra universidade privada, passei no vestibular da Uneb e estou no primeiro semestre. É uma universidade que tem portas abertas para várias coisas, mas entrei neste momento de crise. Quero que meu departamento, de educação, consiga dialogar com outras unidades e possamos construir um engajamento político. Despertar a consciência política dentro da universidade: é isso que espero”.

Melhorias para a educação

jessica

Jessica Dornelas, 24, psicologia, Universidade de Santa Maria (RS)

“No momento atual que vivemos com os cortes na educação, esperamos melhores condições de ensino e de estrutura, para que os estudantes estejam bem amparados. Não adianta só abrir programas para mais estudantes e não acolher esse estudante. Lutamos por melhorias, por isso o movimento estudantil deve ocupar espaços como o Conune, para que estudantes de todo o país possam se unir na luta por melhorias. Sem dinheiro para a educação não dá!”

Permanência Estudantil

frederico

Frederico Barbosa, 22 anos, Direito no Centro Universitário Salesiano
(SP)

”Para os próximos anos eu quero que mais estudantes tenham a oportunidade de entrar na universidade e de permanecer estudando. O Brasil tem que continuar no caminho da mudança. Apesar de todos os problemas que temos tido é função nossa, dos estudantes, lutar para cada vez mais conseguirmos consolidar as vitórias conquistadas até aqui.”

Democracia nas universidades

nayara

Nayara de Souza, 19 anos, Agronegócio na Fatec São José do Rio Preto
(SP)

”Eu luto por mais democracia dentro das universidades, luto para que os universitários possam ter voz para expressar tudo o que eles passam no dia a dia. Os jovens também trabalham o dia todo, chegam à noite para estudar e muitas vezes não têm acesso a nenhum tipo de assistência estudantil, que é algo fundamental. Neste Congresso vim lutar para que os universitários estejam presentes e politizados em defesa do nosso país.”

Mobilização pela educação

mateus

Mateus de Camargo, Geografia na Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS)

”Se a gente pensar a quantidade de cortes que aconteceu na educação hoje, eu não posso esperar muito da minha universidade. Agora se eu questionar o que eu espero da universidade referente à classe trabalhadora, aos terceirizados e aos estudantes, eu vou esperar muita mobilização para que a gente enfrente esse retrocesso da educação que está acontecendo neste momento.”

Universidade do povo

annie

Annie Ramalho, 20, Serviço Social, Universidade Estadual de Londrina
(UEL)

”Eu espero que a universidade seja pública, de qualidade, que o povo esteja dentro dela, que ele seja camponês, branco, negro, índio, todo mundo, a universidade é para todos e não tem esse negócio de privatizar. Eu sou preta, da periferia, cheguei na universidade sem saber ler e fiz dois anos de cursinho pré-vestibular lá mesmo para me preparar para o vestibular. A partir de lá me encontrei num espaço de empoderamento e aprendi a valorizar minhas origens.”

Nenhum direito a menos

rua

Leonardo Campos, 23, psicologia, Unicentro.

”Eu acho que o cenário que a gente espera para a educação agora frente a essa onda gigantesca de cortes é que se gere uma mobilização de greve geral, tanto nas federais quanto nas estaduais. Na situação do Paraná ela já está em greve há mais de um mês. Já estamos num processo de construção de greve, a gente espera surja esse despertar, talvez esse encontro da UNE sirva na organização de alguns movimentos que possibilitem esse movimento que vise uma greve em busca de direitos e
não perder os nossos direitos como vem acontecendo.”

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