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30 mil jovens brasileiros morrem todo ano e 77% são negros, diz pesquisa

24/09/2015 às 12:26, por Cristiane Tada .

Ocupação na Matilha Cultural traz exposição e atividades culturais para discutir sobre a violência

No dia 02 de abril de 2015 o menino Eduardo de Jesus (10) foi morto por policiais militares na porta de casa no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. O caso chocou a opinião pública porque não havia operação policial ou troca de tiros no local . Já Ana Cláudia (29) grávida de 20 semanas, mãe de quatro filhos, foi atingida por um disparo em setembro de 2014 vindo de dentro de um “caveirão” – nome popular do carro blindado usado pelo batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Execuções sumárias, desrespeito e preconceito racial são protagonistas dos casos destacados e ilustrados com o rosto e a versão das famílias da vítimas na exposição da campanha Jovem Negro Vivo do relatório “Você Matou Meu Filho: Homicídios cometidos pela Polícia Militar na cidade do Rio de Janeiro”, disponível até o dia 24 de outubro Matilha Cultural em São Paulo.

A iniciativa da Anistia Internacional quer sensibilizar e desnaturalizar o alto índice de morte de jovens negros no Brasil, propor um debate sobre a segurança pública, e execuções praticadas pela própria polícia.

Dados estatísticos

Os infográficos assustam. A violência letal do Brasil não afeta a todos da mesma forma.

O Brasil tem o maior número de homicídios no mundo, cerca de 56 mil todos os anos, e deste número 30 mil são jovens e entre os jovens 77% são negros. A Campanha apresenta os dados do Mapa da Violência que usa os dados do Data Sus compiladas no relatório lançado em Agosto.

“É como se a cada dois dias caísse um avião cheio de jovens. No entanto como você não vê esse avião cair, essas mortes são pulverizadas em homicídios no Brasil todo, isso não parece ser uma tragédia”, afirma Renata Naeder, assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional.

Ela explica que o cálculo da taxa é uma comparação do número de homicídios por 100 mil habitantes. “Estatisticamente um jovem negro tem mais chance de morrer vítima de homicídio independe se ele é ou não a maior parte da sociedade”, afirma.

Através do mapa a constatação é apavorante. Jovem negro, morador de periferias no Norte e Nordeste do país nasce praticamente com uma sentença de morte.

“Isso está acontecendo e não podemos fechar os olhos para isso. Precisamos entender o que causa essa violência ao jovem negro, porque isso está crescendo no Nordeste, precisos estudar isso e de uma resposta do Estado”, destaca.

Rio de Janeiro e São Paulo

O estudo de caso analisa as mortes provocadas pela PM na cidade do Rio de Janeiro nos últimos 4 anos de acordo com os números divulgados pela Secretaria de Segurança Pública.

Os dados mostram que a PM em serviço foi responsável por uma média de 16% do total de homicídios na cidade. Em 2010 essa taxa chegou a quase 20%. “Hoje no Rio de Janeiro apenas se a polícia parar de matar, já reduz o número de homicídios em 16%. Qualquer debate sobre segurança pública precisa discutir a redução da letalidade nas ações policiais, mas a única redução que se discute é a redução da maioridade penal”, lamenta.

Trazer estes dados para a capital paulista é uma tentativa de reverberar o assunto da segurança e a necessidade de políticas para essa parcela da população tão ignorada pelo Estado: a juventude.

“Sabemos que São Paulo tem um problema de violência policial tanto em serviço quanto fora de serviço, embora não tenhamos nenhuma pesquisa a Anistia Internacional acompanha alguns casos individuais aqui. Tanto São Paulo quanto o Rio o que acontece em termos segurança pública tornam-se para o bem e para o mal um modelo no país, então se nestes Estados não há mecanismos externos de controle da atividade policial nada é feito isso ecoa no resto do país”, explica Naeder.

Os dados da SSP de São Paulo mostram que entre 2013 e 2014 houve um aumento de 105% nas mortes em confrontos com a polícia. Além do aumento dos casos de chacinas com a atuação de policiais em grupos de extermínio como a que matou 18 pessoas em Barueri e Osasco agora em Agosto.

Recomendações

A Anistia internacional além de analisar, denunciar e publicizar esses dados propõe recomendações para os governos federal, estadual, Congresso Nacional e Ministério Público.

A mobilização envolve ainda a assinatura de um manifesto pelos cidadãos em uma forma simples de mostrar que se importam e quero ver uma política efetiva de redução de homicídios e políticas públicas voltadas exclusivamente para a juventude. Assine aqui.

O homídio é apenas a última violação que esse jovem está sofrendo de uma série de outras, apenas a ponta do iceberg.

“Precisamos pressionar e dizer que o que queremos é uma sociedade baseada em direitos humanos e que não vamos admitir violações e trocas. Os direitos humanos não são negociáveis e são interdependentes”, ressaltou.

Na opinião de Naeder a atuação da polícia de combate e prevenção ao crime não pode provocar a segregação racial e social, e não pode violar o direito de todos de ir e vir e do lazer.

E continua: “e o Estado em particular tem a responsabilidade não só de promover a garantir direitos, mas também de nas suas ações de respeitar esses direitos”.

Serviço

O que?  Setembro Verde, Jovem Negro Vivo. A ocupação na Matilha Cultural vai realizar debates, exibição de filmes, apresentações artísticas e musicais, instalações do artista Walter Nomura Tinho, e Happy Hour Matilha com DJ KL Jay, Dj King e Notas reais.

Quando? De terça à domingo das das 12h às 20h.

Onde? Rua Rego Freitas, 542, Centro. 

Quanto? A entrada é gratuita.

Assista o convite da assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional, Renata Naeder.

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