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2º ENUEESP sintetiza urgências e lutas da população negra

22/05/2018 às 14:43, por Sara Puerta com edição de Cristiane Tada.


Fotos: Sara Puerta e Clara Freitas | CUCA SP

Encontro de estudantes negros de SP aconteceu no Sítio Quilombo Anastácia, em Araras e trouxe diversos convidados como a deputada Leci Brandão 

Um grande encontro de jovens estudantes, negros e negras, dispondo de muita energia e força para lutar contra o racismo na sociedade e na universidade. Foi assim o 2º ENUEESP, que levou centenas de pessoas para Araras, no interior de SP., nesse último final de semana, entre os dias 18 e 20 de maio. Somado a isso, o local escolhido para sediá-lo traduz a resistência a que se propôs o evento. O Sítio Quilombo Anastácia foi constituído como um assentamento rural na cidade desde os anos 70. No local também co- existe o terreiro Ilê Axé Yansã.

O debate que abriu oficialmente o Encontro, trouxe à tona o tema “O Negro e Negra no Projeto Nacional”, com a participação na mesa de Rafael Pinto, ogan Pejigan do local , coordenador Estadual do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira-Cenarab/Conen e Danilo Morais, sociólogo e professor da UniAraras.

Consenso no debate, ser um negro e universitário é revolucionário e a universidade como centro do projeto nacional deve valorizar a história, autores e intelectuais negros.

“O projeto nacional deve levar em conta a maioria da população e os negros são a maioria. Não é o que acontece, nem nunca aconteceu. A questão racial é central no país e tem relação direta com a luta de classes. Para pôr fim a esse processo desigual no país, é preciso se organizar coletivamente. Ascensão individual não funciona para transformar. E encontros como esse são como universidades na produção de conhecimento”, disse Rafael.

Para o Danilo a saída para colocar o negro em destaque nas políticas sociais e econômicas requerem teoria. “Não há prática revolucionária, sem teoria revolucionária. Mas não vai surgir um teórico e apontar as saídas! Esses ideais e teorias vem da base e responder à questão de como construir uma movimento de resistência e emancipação dos negros”, avaliou o sociólogo.

GRUPOS DEBATES E DE TRABALHO

Pela tarde, diversas painéis simultâneos de debates rolaram no local. Cultura, desafios da permanência e racismo religioso organizaram uma linha de ação dentro dos temas, e os debates sobre segurança pública, mulheres negras, LGBTs, saúde e trabalho trouxeram grandes contribuições para a atual conjuntura.

O painel sobre racismo religioso trouxe o fotógrafo Roger Cipó, que falou sobre a intolerância às religiões de matrizes africanas. ” Não se trata de um preconceito contra uma ideia, um conceito religioso, é uma aversão, uma violência a tudo que vem de uma gênese negra. O candomblé é marginalizado e invisibilizado, porque nasce do protagonismo de negros e negras. É necessário fomentar esse debate em locais de produção de conhecimento, como a universidade, para também recriar as narrativas”, avaliou Roger.

No debate sobre mulheres, que lotou o espaço, Priscila Santos, especialista em políticas públicas em gênero e raça, falou sobre a luta das negras é muito anterior ao nome ‘feminismo’.”Nas organizações de resistência, os quilombos, as mulheres já rompiam desigualdades de gênero e o patriarcado”.

Para Maria das Neves, coordenadora da União Brasileira de Mulheres (UBM), é preciso assegurar que o projeto antipopular do atual governo não continue no poder. ” Nós somos resistência. Mulheres, não tenham medo de serem negras e devemos derrotar essas estruturas que colocam a mulher em um segundo plano.”

Marcos Paulo Silva, diretor de combate ao Racismo da UEE-SP, avaliou que o encontro trouxe o diálogo de experiências pessoais na universidade com as experiências históricas de resistências. “Conseguimos ressignificar muitos dos nossos símbolos históricos, e entendemos quais os nossos desafios para o próximo período e, assim, organizar uma rede de estudantes, coletivos e iniciativas negras para fortalecer nossa intervenção política e nos manter forte para acabar com o racismo e a exclusão da população negra”.

Documento Final

No final do segundo dia foi lido um documento que sintetiza os diversos debates e apontamentos realizados durante o encontro foi lido. Esse documento traz diversas reivindicações e ações que devem nortear a luta dos estudantes no próximo período.

A deputada estadual Leci Brandão acompanhou a leitura do documento. “Esse é o momento da juventude negra colocar em prática o que foi discutido no evento. Que seja feito algo para acabar com esse racismo na sociedade, que mata e exclui os negros. Estou cansada do que foi feito lá atrás”, avaliou a deputada.

A UEE-SP divulgará o documento na íntegra aprovado nos próximos dias nas redes e no site, e detalhes sobre as rodas simultâneas. Fique ligado!

 

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