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20 anos depois, UNE reeditará resistência às privatizações

19/09/2017 às 9:19, por Natasha Ramos.


Ex-presidente da entidade Orlando Silva relembra a luta contra a venda da Vale do Rio Doce em 1997

A ascensão do governo ilegítimo de Michel Temer e o “vale-tudo” político, escancarado após os escândalos da alta cúpula, trouxeram uma pauta ingrata e rejeitada pela grande maioria da população brasileira: as privatizações. As movimentações de Temer para entregar setores estratégicos do país, entre eles a Eletrobras e o sistema energético, deixaram em alerta os estudantes e em especial a UNE. Durante os oitenta anos da entidade, a proteção do patrimônio do país e a soberania nacional são uma fundamental, com capítulos de resistência em diferentes momentos.

“As privatizações de recursos fundamentais no país, que colocam em risco a soberania nacional, têm sido reprovadas pelos brasileiros desde os governos neoliberais da década de 1990, quando milhões foram às ruas, incluindo o movimento estudantil, para fazer frente a negociatas vergonhosas como aquela que entregou a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e parte grande dos nossos recursos minerais”, manifestou-se a entidade, em nota de repúdio contra o pacote entreguista de Temer.

Presidente da UNE em 1997, durante a resistência à privatização da Vale, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) relembra como foi aquele embate com o governo neoliberal do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Em um processo escandaloso, o Brasil incluiu a companhia, fundada em 1942 e desde 1974 a maior exportadora de minério do mundo, no Programa Nacional de Desestatização.

“A privatização da Vale do Rio Doce foi um crime contra o país e o povo brasileiro. Era uma referência, um orgulho nacional, entregue a preço vil para o capital privado. A UNE lutou muito contra essa medida entreguista. Articulamos ações na justiça em conjunto com a OAB, reunimos com o ex-presidente Itamar, que tinha posição histórica contra a privatização da Vale, chegamos até a ocupar a Bolsa de Valores. Infelizmente, conseguiram entregar a Vale”, conta Orlando.

O programa de FHC privatizou, durante a década de 90, nada menos que 68 empresas públicas, dentre elas a Embraer, a Embratel e a Companhia Siderúrgica Nacional. Em maio daquele ano, a CVRD foi vendida por R$ 3,3 bilhões de dólares, embora fosse avaliada na época em R$ 10 bilhões. Hoje seu valor de mercado é estimado em cerca de R$ 100 bilhões de dólares. “O desastre recente da Samarco mostra quem estava certo. A história podia ter sido diferente”, provoca o deputado.

Antes, durante e depois do processo de privatização da empresa, os movimentos estudantil e sociais buscaram impedir nas ruas e nos tribunais a privatização da CVRD. Foram encaminhadas à justiça mais de 100 ações populares pedindo a anulação do leilão, devido às flagrantes irregularidades (subavaliação de minerais, participação de setores do consórcio que arrematou a CVRD durante o processo de avaliação da empresa, não cumprimento de normas do próprio Programa Nacional de Desestatização, irregularidades na licitação, etc). Em 2005, o Tribunal Regional Federal de Brasília acatou ação que reconhece as irregularidades no processo de avaliação da CVRD quando da sua venda, possibilitando assim a anulação do leilão.

LUTA HISTÓRICA, RESISTÊNCIA ATUAL

Para o atual diretor de memória estudantil da UNE, Iago Montalvão, os estudantes se organizarão para reeditar a resistência contra as tentativas de privatização no país, com força máxima. “A UNE sempre teve um papel histórico importante, para além da pauta educacional, na defesa de questões relativas ao interesse nacional. As estatais brasileiras, sobretudo a Eletrobras e a Petrobras que são empresas fortes e contribuem para o desenvolvimento do nosso país sempre foram de muito interesse da nossa defesa”, diz.

Em um passado mais distante, os estudantes encabeçaram outras lutas pelo patrimônio nacional, como foi o caso da campanha “O Petróleo é Nosso”, na década de 50. Travava-se um grande debate sobre a exploração por parte de empresas estrangeiras. Nesse momento, a UNE foi protagoniza com a campanha “O Petróleo é Nosso”, culminando na criação da Petrobras, em 1953.

Segundo Iago, esse é um tema também diretamente ligado à educação brasileira: “A UNE vai seguir nessa luta como fez ao longo de toda a sua história para defender a nossa soberania e defender inclusive que a universidade que é pública e que tem relação e interesse nessas empresas, produzia e faça pesquisa para o desenvolvimento do nosso país e não para os estrangeiros”, explica.

Leia aqui na íntegra a nota das entidades estudantis contra as privatizações.

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