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10 anos da derrota da Alca: encontro reuniu lideranças de 24 países em Cuba

05/01/2016 às 19:06, por Rafael Bogoni.

Entidades apostam na unidade e na potencialização da mobilização popular para continuar em luta contra ameaças imperialistas

Entre os dias 20 e 22 de novembro de 2015 foi realizado em Havana, Cuba, o Encontro Hemisférico: Derrota da ALCA, 10 anos depois, que contou com a participação de representantes de mais de 110 organizações de 24 países. A palavra de ordem durante o evento todo foi unidade, dos movimentos e dos povos.

Entre as organizações participantes, estiveram presentes a UNE, a Federação de Estudantes Universitários de Cuba (FEU) e a Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE), além de lideranças de organizações populares, sindicais, eclesiásticas e ecumênicas, indígenas e campesinas, redes regionais, intelectuais e acadêmicos.

Convocado pela ALBA Movimentos, o Encontro teve como principais objetivos a comemoração dos 10 anos de derrota da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), no dia 5 de Novembro de 2005, em Mar del Plata, Argentina, graças a forte articulação dos movimentos sociais através da Aliança Social Continental (ASC) e do impulso dos governos progressistas da região; e a avaliação do que foi feito em defesa da soberania de nossos povos nestes 10 anos.

Nos painéis realizados durante o Encontro, foram analisados os impactos dos chamados TLC’s (Tratados de Livre Comércio), como o TPP (Tratado Transpacífico), TTIP (Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento), TISA (Tratado Sobre Comércio e Serviços), entre outros, bem como o papel das transnacionais e a atualização das estratégias de dominação do imperialismo, a rearticulação da direita em nosso continente e no mundo e os avanços nos processos de mudança e integração regional atualmente.

O evento foi a conclusão da Jornada Continental de Luta Aintiimperialista, que começou no dia 5 de Novembro deste ano, onde várias organizações de diferentes países realizaram atos, inclusive no Brasil.

Durante sua participação no evento, Carina Vitral, presidenta da UNE, falou que a unidade dos estudantes e do movimento estudantil em São Paulo, nas ocupações das escolas e manifestações realizadas por eles contra o fechamento destas pelo governo do estado, são uma referência da unidade que precisamos ter em nosso continente, “A unidade das lutas nas ruas é fundamental, assim como seguir lutando e gerando novos encontros. A defesa da democracia e dos nossos direitos conquistados podem gerar unidade entre os movimentos”, disse Carina.

No encerramento da atividade, ocorreu um painel sobre o processo de atualização do modelo econômico e social de Cuba. Houve também a análise do estado das relações entre Cuba e EUA, com uma exposição do professor universitário Jesús Arboleya.

Os movimentos sociais presentes condenaram os golpes de Estado e a crescente ocupação de bases militares estrangeiras na região. Também respaldaram a proclamação da II Cúpula da CELAC, da “América Latina e Caribe como região de paz”, e a paz com justiça social na Colômbia.

Declaração Final

A declaração final do encontro sinalizou o momento chave para o continente, com a rearticulação de setores conservadores ameaçando os avanços e conquistas resultantes de um largo processo de lutas populares. O documento rechaça a criminalização dos movimentos sociais e afirma que a mobilização popular segue sendo um caminho a potencializar, reconhecendo o processo de integração regional como fundamental para o enfrentamento à crescente onda conservadora em nosso continente. Assim sendo, reitera-se o importante respaldo dos blocos de integração regionais como a UNASUL, ALBA e CELAC, que alargam os caminhos para o aprofundamento da integração.

Alguns dos eixos fundamentais da Declaração são: a luta contra o livre comércio e as transnacionais; o aprofundamento dos processos democráticos e a defesa das soberanias; a integração regional e a solidariedade como prática cotidiana.

>>> Leia na íntegra aqui

Da mesma forma, foi aprovada uma Declaração Especial de solidariedade com a Venezuela (> leia aqui) pelas tentativas de desestabilização realizadas pelo imperialismo estadunidense junto com a direita e os grandes meios de comunicação no país. E outra em solidariedade ao povo haitiano pela retirada da MINUSTAH do seu país. (> Leia aqui)

Para Alejandro Mesa Muro, diretor de Relações Internacionais da FEU de Cuba, “foi um encontro necessário perante os desafios que hoje se vive em nossa América, onde os movimentos sociais devem ver na unidade a única forma de poder vencer em qualquer nação…as organizações estudantis jogam um importante papel nas lutas do continente e está provado através da história que quando os estudantes se lançam as ruas, a direita estremece”.

A consigna “Globalizemos a luta. Globalizemos a esperança!” esteve constantemente presente durante o Encontro Hemisférico, que definiu uma agenda comum de aprofundamento dos debates em nossos países, da realização de um novo encontro em Havana e de uma ação conjunta contra o livre comércio e as transnacionais no dia 4 de Novembro de 2016.

Para Heidy Villuendas Ortega, presidenta da OCLAE, “Este encontro foi a continuação dos que já se sucederam há 10 anos e acontece em meio ao marco da ofensiva imperialista sobre o nosso continente, que se articula desde a política, prejudicando nossa democracia e soberania, até o setor econômico, com os Tratados de Livre Comércio. Isso nos deixa o desafio de unificar a luta dos estudantes, da juventude e dos movimentos sociais de forma geral, para gerar mobilizações que possam contrapor esta ofensiva. À OCLAE cabe a tarefa de mobilizar a sua rede formada por 38 entidades de 23 países da América Latina e Caribe, para participar desta luta junto com os movimentos sociais. Ainda há muito por fazer, mas juntos somos mais fortes”, disse a dirigente.

Seminário pela Paz

O Encontro aconteceu pouco antes do IV Seminário Pela Paz e Abolição das Bases Militares Estrangeiras, que ocorreu em Guantánamo, Cuba, entre os dias 23 a 25 de Novembro, organizado pelo Movimento Cubano pela Paz e a Soberania dos Povos (MOVPAZ) e pelo Conselho Mundial da Paz (CMP), que reuniu centenas de pacifistas que debateram sobre o desarmamento, a instabilidade da paz mundial e o desmantelamento das bases militares estrangeiras. Também próximo foi a XIX Assembleia da Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD), de 9 a 12 de Novembro, igualmente em Havana, que reuniu representantes de mais de 70 organizações de mais de 30 países de todos os continentes para debater sobre o papel da Federação e da juventude nesta difícil conjuntura mundial.

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