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Lugar de mulher é … no DCE!

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Às vésperas do 64º Coneg, site da UNE bateu um papo com a estudante de Ciências Biológicas da Universidade de Pernambuco (UPE), recentemente eleita presidenta do Diretório Central 

Por Renata Bars

Em tempos em que quase 70% das universitárias afirmam já ter sofrido algum tipo de violência no ambiente acadêmico, segundo pesquisa do Instituto Avon e Datapopular, muitas meninas lutam para derrotar o machismo nas escolas, nas universidades e na sociedade como um todo.

No movimento estudantil, a luta é crescente. As três maiores entidades nacionais, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) e União Nacional dos Estudantes (UNE) são atualmente dirigidas por mulheres.

Nas universidades, o quadro não é diferente. O número de meninas à frente dos chamados Diretórios Centrais de Estudantes (DCES) vem aumentando a cada dia. É o caso da estudante de Ciências Biológicas da Universidade de Pernambuco (UPE), Ranielle Vital.

Aos 21 anos ela preside o DCE da instituição e agora se prepara para participar do 64º Coneg da UNE, que acontece de 15 a 17 de julho, em São Paulo. Na bagagem para o maior fórum de deliberação do movimento estudantil, Ranielle leva muita vontade de mudança.

”Estamos passando por um momento em que precisamos estar em unidade para barrar essa onda de retrocessos neoliberais no Brasil e principalmente na nossa educação”, diz.

Questionada se enfrenta preconceito por ser mulher e estar à frente de um DCE, foi categórica.

”Se tem uma coisa que incomoda são as mulheres nos espaços de poder, mas só tenho uma coisa a dizer: vamos incomodar muito ainda.”

Confira a entrevista na íntegra:

Como você começou no movimento estudantil?

Entrei no movimento estudantil em 2013, na efervescência das manifestações, fui uma das pessoas que estavam ali perdidas, mas inquietas com tudo que estava acontecendo, costumo brincar dizendo “ainda bem que me encontraram”.

Por que você decidiu participar do DCE? Sempre foi engajada politicamente?

Minha mãe sempre despertou o debate político dentro de casa, mas nada além disso. Antes de entrar no DCE fui presidenta do Diretório Acadêmico do Campus que estudo na UPE, e durante a gestão fui convidada a assumir a tesouraria do DCE onde pude aprender muito e logo após surgiu a indicação para presidir o DCE UPE, e cá estou!

O que você sentiu ao ser eleita para o DCE?

Me senti cheia de desafios, numa universidade multi campi que vai do sertão ao litoral de Pernambuco e que ainda sofre com grandes dificuldades. Presidir um DCE não é uma missão fácil, principalmente com a nossa conjuntura política atual, mas a luta diária de todos os estudantes, a história do nosso país e o amor pela luta é o combustível sempre.

Sentiu alguma dificuldade ou preconceito por ser mulher?

Sim, e por diversas vezes, se tem uma coisa que incomoda são as mulheres nos espaços de poder, só tenho uma coisa pra dizer: vamos incomodar muito ainda!!

Ainda são muitas as notícias de estupros e abusos nas universidade. Como você acredita que podemos enfrentar o machismo no meio acadêmico?

Precisamos levar o debate para o dia a dia da universidade, nos corredores, nas salas de aula, nos murais, barrar qualquer tipo de preconceito e tomar sempre medidas cabíveis para cada caso.

Você já recebeu alguma denúncia de machismo estando à frente do DCE? Como lidou com isso?

Sim. A denúncia foi de um grupo de alunos que espalharam na universidade cartazes com frases machistas, preconceituosas e que disseminava a cultura do estupro, imediatamente levamos os cartazes para o Conselho de Gestão Acadêmica do Campus onde deliberamos junto com a gestão da UPE a realização de um evento que teve como nome “MAIS AMOR, MENOS ÓDIO”, o evento teve uma grande repercussão, o debate precisa ser feito, machistas não passarão!!

O Coneg da UNE está próximo. Quais pautas você pretende levar para o Encontro?

Estamos passando por um momento em que precisamos estar em unidade para barrar essa onda de retrocessos neoliberais no Brasil e principalmente na nossa educação, nossas principais pautas serão a permanência dos Estudantes contra Golpe e Nenhum Centavo a Menos pra Educação, além das pautas específicas da Universidade de Pernambuco.

Qual recado você daria para as meninas que querem participar de DCES, Executivas de Curso e até Uniões Estaduais Estudantis?

Vão em frente meninas, os espaços de poder precisam cada dia mais ser ocupados por nós mulheres, precisamos contribuir e fortalecer a democracia, somos mais da metade da população brasileira e temos o dever de decidir os rumos da nossa educação, do nosso estado e do nosso país!

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