Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

Lugar de mulher é… na política!

lugar de mulher samia

 

Site da UNE conversou com Sâmia Bonfim, 27 anos, que nas últimas eleições municipais de São Paulo foi eleita com 12.464 votos e será a mais jovem mulher entre os 55 vereadores de São Paulo.

Por Cristiane Tada

Sâmia Bonfim é formada em Letras pela USP, universidade na qual hoje é funcionária e integra o Sindicato dos Trabalhadores da instituição, o Sintusp. Começou sua trajetória política no movimento estudantil, em defesa da educação pública, por cotas, contra os estupros na universidade e por creches para as mães estudantes e trabalhadoras. Foi, por três vezes, da gestão do Centro Acadêmico de Letras e do DCE, sendo muito atuante na greve geral e na ocupação da reitoria em 2013. Atualmente, é do Setorial de Mulheres do PSOL, partido no qual é filiada desde 2011, e do movimento feminista Juntas!.

Foi no movimento de mulheres construindo atos pelo Fora, Cunha! e contra o deputado Jair Bolsonaro que ela mostrou força e disposição para ampliar a luta contra os retrocessos que estavam sendo colocados. Daí, também, cresceu a ideia e a vontade de ser representante das pautas populares como vereadora.

Eleita, ela vai enfrentar dentro da Câmara uma maioria conservadora e uma administração do PSDB sob o comando de João Dória, que já mostrou ter uma plataforma declaradamente neoliberal. Na análise de Sâmia, “a saída para avançar, mesmo sob massivos ataques dos governos, é não se fechar dentro das disputas da Câmara, estar aliada aos movimentos sociais e nunca tirar o pé da rua e das mobilizações populares”.

Confira abaixo as ideias que o site da UNE trocou com Sâmia Bomfim.

Como ter avanço na pauta popular sendo minoria na Câmara dos Vereadores?

De fato, essa é uma questão sobre a qual também estou refletindo muito. É um cenário bem complicado, a composição da Câmara não é nada favorável. Mas, eu acredito que, se por um lado anunciam-se muitas medidas impopulares dessa nova gestão, por outro avizinham-se também muitas lutas. Haverá um alinhamento forte entre os governos municipal, estadual e federal, que trarão muitos ataques mas, sem dúvida, muita luta e resistência por parte dos movimentos sociais. Acho que a saída é não se fechar dentro das disputas da Câmara, estar aliada aos movimentos sociais e nunca tirar o pé da rua e das mobilizações populares.

Tem como melhorar a Saúde e Educação com a PEC 241? Como ela pode atingir os municípios?

Não tem como. A PEC 241 é um grave ataque aos direitos sociais mais elementares e contradiz o discurso demagógico de boa parte dos candidatos em época de campanha. Como estão comprometidos com saúde e educação se concordam com o congelamento de investimento nessas áreas? Precisamos construir uma forte luta contra a PEC 241!

O prefeito eleito João Dória prometeu extinguir as secretarias voltadas para mulheres, negros e pessoas com deficiência. Como podemos convencer a opinião pública paulista de que estas pastas são cruciais para a população de São Paulo?

Acredito que as mobilizações sobre as pautas democráticas, especialmente sobre os direitos das mulheres, cresceram no último período. O debate sobre o machismo e as desigualdades entre os gêneros se fortaleceu e se ampliou. Já não somos mais um movimento restrito – invadimos os lares e algumas vezes conseguimos pautar a grande mídia. Acredito que, diante da publicização dos graves índices de violência contra os setores oprimidos, bem como com a articulação de amplos setores que debatem e militam em torno do tema, é possível criar um forte movimento de resistência e defesa das secretarias.

O Brasil passa por uma crise de representatividade muito grande na política. Agora eleita, como você pretende manter o diálogo aberto com os eleitores e as eleitoras?

Pretendo atuar como vereadora, mas não me fechar nas disputas dentro da Câmara. Vou continuar indo nos atos, mobilizações, debates, ou seja, continuarei sendo uma militante. Além disso, quero fazer um mandato aberto, com assessores ativistas, envolvimento de movimentos sociais, movimento feminista, sociedade civil. Além de manter um canal de comunicação e diálogo abertos, através de plenárias, assembleias, bem como redes sociais, mídia independente e aplicativos.

Como a mulher mais jovem eleita na Casa e declaradamente feminista, quais serão as suas principais bandeiras dentro da Câmara dos Deputados?

São muitas as batalhas pelos direitos das mulheres, mas minha prioridade deve ser o tema da violência, tendo em vista sua persistência e gravidade. Pretendo batalhar por Casas abrigo, Centros de referência e acolhimento das vítimas de violência, licença para as servidoras vítimas de violência, campanhas nas vias, praças e equipamentos públicos, por exemplo. Também pensar uma rede de saúde municipal que contemple saúde da mulher, direito a presença de doulas e parto humanizado, estímulo à amamentação.

 

> Leia aqui outras entrevista da série “Lugar de mulher…. é onde ela quiser!”

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo