
Todos os dias, a Bienal traz uma grande atração. Na abertura, shows do Ilê Aiyê e Dona Ivone Lara. Domingo, Martinho da Vila e Beth Carvalho. Ontem, um debate com o ministro da cultura Gilberto Gil. Hoje, é dia de um encontro inédito e especial.
“O Diálogo Musical – Canções e poemas que marcaram a história do movimento estudantil” vai reunir dois grandes artistas do cenário nacional. O cantor e compositor Carlos Lyra e o escritor e poeta Ferreira Gullar se encontram na Bienal para relembrar as canções e poemas que marcaram as décadas passadas.
Lyra vai trazer seu inseparável violão dos tempos de bossa nova. Gullar vai recitar algumas de suas famosas poesias. Num clima informal de bate-papo com os estudantes, os dois vão relembrar histórias dos tempos de juventude. O encontro acontece no Café Literário (Espaço Nigéria/Fundição Progresso), 20h.
CPC MARCOU ÉPOCA
Lyra, um dos fundadores do CPC (Centro Popular de Cultura) e autor do hino da UNE, se exilou em 64 e só voltou ao Brasil em 71. Três anos depois lançou o álbum “Herói do medo”, recheado de letras sobre casos de tortura e mortes na luta pela democracia. O disco foi censurado e, no mesmo ano, o artista mais uma vez saiu do país. Carlos Lyra compôs grandes sucessos como “Minha Namorada”, “Você e Eu” e “Coisa mais linda”.
Ferreira Gullar, que presidiu o CPC em 1963, é um dos mais respeitados intelectuais do país. A primeira edição de seu ensaio “Cultura posta em questão”, foi queimada pela ditadura dentro da sede da UNE, na praia do Flamengo. Preso em 68, deixou o país três anos depois. De volta ao Brasil, em 77, foi preso pelo Dops e interrogado durante 72h. Entre sua extensa obra estão os livros: “Poema Sujo” e “Vanguarda e subdesenvolvimento”.
Diálogo Musical:
FERREIRA GULLAR E CARLOS LYRA
20H - CAFÉ LITERÁRIO (FUNDIÇÃO PROGRESSO)