O colunista Emir Sader, da Agência Carta Maior está sendo processado pelo Senador Jorge Bornhausen e pode perder o cargo de professor na UERJ. Entenda a polêmica
Na era dos blogs e da internet como forma de livre manifestação política, as opiniões às vezes irritam um pouco além da conta. Um exemplo desse tipo de situação se ilustrou nesta quarta (1), quando o colunista Emir Sader, do site Agência carta Maior, foi condenado pela 11ª Vara Criminal de São Paulo a um ano de detenção em regime aberto e a perda de seu cargo do professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
O motivo? Um processo de lesão por injúria movido pelo Senador Jorge Bornhausen (PFL) após a publicação de um artigo de Sader na internet, em 28 de agosto de 2005. No texto, o colunista descreveu Bornhausen como racista. Emir Sader adjetivou o político com tal palavra após uma polêmica declaração pública do senador. Questionado sobre seu desencantamento com a classe política, ele disse, em referência ao Partido dos Trabalhadores e ao presidente Lula:
"Desencantado? Pelo contrário. Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos". À luz da época, Bornhausen esperava que os governistas perdessem as eleições de 2006.
Emir Sader opinou em sua coluna virtual sobre o posicionamento do político: "Repulsivo, não por ser loiro, proveniente de uma região do Brasil em que setores das classes dominantes se consideram de uma raça superior, mas por ser racista e odiar o povo brasileiro. Ele toma o embate atual como um embate contra o povo – que ele significativamente trata de "raça".
Defesa
A expressão utilizada por Bornhausem também gerou manifestações de repúdio no governo, no PT e em esferas da esquerda. Cartazes acusando o senador de racismo chegaram a ser distribuídos em Brasília. Diante da repercussão, o senador, que também é presidente do PFL, publicou um artigo no jornal Folha de S. Paulo, em 29 de setembro, em que tentava explicar o uso da expressão.
"Quanto a ter usado a palavra ‘raça’ – não como designação preconceituosa de etnia, ideologia, religião, caracteres, mas como camarilha, quadrilha, grupo localizado –, tão logo alguns falsos intelectuais surgiram, incriminando-me, apareceram preciosos testemunhos a meu favor. Confesso que falei "dessa raça" espontaneamente, sem premeditação, usando meu modesto universo vocabular, a linguagem coloquial brasileira com que me expresso, embora meus adversários tentem me isolar numa aristocracia fantasiosa", escreveu.
Não satisfeito com o esclarecimento no jornal, Jorge Bornhausen moveu processo judicial contra Emir Sader. O juiz Rodrigo César Muller Valente avaliou que Sader cometeu crime. Cabe recurso à decisão, ainda em primeira instância e o advogado do colunista promete recorrer.
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