Ao contrário do que alguns pensavam, a eleição presidencial de 2006 teve grande participação popular e menos votos nulos do que no pleito de 2002, revelam os dados do TSE. Enquête realizada pelo EstudanteNet também constatou que o voto nulo não é uma opção da maioria.
Com a apuração de 94,37% dos votos já apurados em todo o país, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou um percentual de nulos de 5,37% (5.667.144 votos), resultado menor que há quatro anos, quando foi de 7,36% (6.976.107 votos).
Esse número ainda pode ser menor, porque os votos do candidato Rui Costa Pimenta (PCO) forma computados como nulos. A candidatura de Pimenta foi posta em juízo por apresentar problemas na prestação de contas da ultima eleição. Se o candidato for absolvido, os votos nulos diminuem ainda mais.
A coordenadora geral da ONG Voto Consciente, Sônia Barboza, não esconde a satisfação com esses resultados. Em entrevista ao portal EstudanteNet, ela disse que a conscientização sobre a importância do voto foi fruto de muito trabalho: " Nós trabalhamos loucamente, demos palestras, entrevistas, acho que a imprensa foi muito importante nesse processo".
Sônia destaca a participação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com as campanhas institucionais pelo voto. "As campanhas foram muito boas, patrióticas, e ajudaram a fazer as pessoas refletirem", diz.
Segundo ela, a atitude do presidente do TSE, Marco Aurélio Melo em esclarecer publicamente a validade dos votos nulos foi louvável. Enquanto circulava na internet uma série de emails garantindo que mais de 50% de votos nulos podem anular uma eleição, o presidente do TSE veio a público elucidar as questões jurídicas e institucionais que envolvem o caso. Segundo ele, os votos nulos intencionais não cancelam o processo eleitoral.
Pós-eleitoral
A coordenadora da ONG Voto Consciente diz que a conscientização eleitoral da população não pode fica parada no período entre eleições. A instituição, que também acompanha de perto a atuação de parlamentares do poder legislativo do estado de São Paulo, mantém um site com informações sobre o funcionamento da política em geral, partidos e a atuação de representantes da população.
Segundo Sônia Barboza, a população ainda está distante da atividade política. Ela espera que os partidos e instituições tenham mais transparência e sejam mais cobrados daqui para frente: "Espero que com a reforma política, os partidos sejam mais responsabilizados pelas suas ações", declara.
Enquête
Numa enquête realizada durante o período eleitoral, o EstudanteNet também constatou que o voto nulo não é uma opção da maioria. Ao contrário de especulações, que supostamente mostravam um movimento crescente a favor desta alternativa, a pesquisa revelou que ao menos os estudantes estão conscientes do valor de seu voto.
O EstudanteNet perguntou aos internautas "O que você acha do voto nulo?". Com quatro opções de respostas, as contrárias à anulação receberam quase o dobro de votos.
De 1.109 pessoas que participaram da enquête, 437 marcaram "Um equívoco. Colabora com o que está aí". Outros 300 assinalaram "Uma bobagem. Pseudo radical, na verdade conservador". Já 54 preferiram opinar como "Legal. Não quero participar desta palhaçada". E 318 responderam: "Uma opção de protesto, mesmo a contragosto".
Artenius Daniel