Os desafios do próximo biênio para os estudantes pernambucanos.
Virgínia Barros*
O último Congresso da União dos Estudantes de Pernambuco, o maior e mais representativo em seus 65 anos de existência, realizado em Petrolina no final do mês de Maio, pode ser considerado um prenúncio dos desafios que se colocam para a entidade no próximo biênio: a construção de uma UEP cada vez mais de massas, com capacidade de formulação crítica sobre a universidade e com responsabilidade com o momento histórico que Pernambuco hoje atravessa.
Dentre estes desafios - todos relacionados a um projeto de desenvolvimento nacional - é inevitável citar a contribuição dada pelas gestões anteriores tanto da UEP, quanto da União Nacional dos Estudantes, para as discussões acerca do ensino superior brasileiro. O CONEB da UNE, ocorrido em Janeiro deste ano, na cidade de Salvador, mobilizou mais de três mil diretórios e centros acadêmicos de todo país, sendo responsável pela inédita e histórica aprovação de um projeto de Reforma Universitária dos estudantes brasileiros, hoje transformado em projeto de lei, em tramitação no Congresso Nacional.
Cabe à nova geração de militantes estudantis lutar intransigentemente pela aprovação desta Reforma Universitária da UNE, capaz de revolucionar a universidade brasileira, uma vez que lhe garante ampliação de vagas e de investimentos, autonomia, democracia interna e regulamentação do ensino superior privado, libertando-o da visão mercadológica que prioriza o lucro em detrimento de um modelo de universidade comprometida com o desenvolvimento do país.
Ainda sobre a pauta educacional, mas com foco na realidade regional, faz-se necessário aprofundar as discussões sobre a gratuidade e autonomia da Universidade de Pernambuco, bem como definir um marco regulatório para as autarquias municipais de educação - instituições de ensino que, embora públicas, funcionam em todo estado sob o regime de gestão privada, muitas vezes sem transparência alguma em seus atos.
Nas discussões mais gerais, é salutar a participação dos estudantes no processo da Conferência de Comunicação, exigindo do governo de Pernambuco a garantia de uma etapa estadual da conferência, que deve ter como foco a busca de uma mídia que represente verdadeiramente a diversidade de idéias e opiniões existentes no seio de nossa sociedade. Sem esquecer também o debate sobre as Políticas Públicas para Juventude (PPJ’s), fundamentais para um projeto de nação que enxerga com responsabilidade sua futura classe trabalhadora.
No bojo dos grandes debates, não pode faltar o compromisso da entidade com o embate eleitoral que se anuncia para 2010. Para além da discussão sobre candidaturas, cabe a UEP encabeçar uma plataforma política formulada pelos estudantes capaz de contribuir para o projeto de desenvolvimento econômico, social e humano de nosso estado, evitando retrocessos e impondo ainda mais avanços para Pernambuco.
Todos estes desafios, claro, terão sucesso somente se a UEP tomar como centro de suas ações uma presença mais firme na vida cotidiana da universidade. É hora de tomar as ruas, as praças e também cada faculdade e cada sala de aula, do litoral ao sertão, contribuindo ainda mais para elevar o nível de consciência política da nossa juventude, protagonista de tantas transformações importantes de nosso país.
Vida longa à combativa União dos Estudantes de Pernambuco.
*Virgínia Barros é estudante de Direito da Universidade Federal de Pernambuco e presidente eleita da União dos Estudantes de Pernambuco. O artigo foi escrito para o blog www.acertodecontas.com.br .