A demarcação contínua das reservas indígenas Raposa e Serra do Sol, por estarem posicionada numa região de alto valor estratégico para o Brasil, foram colocadas em xeque no último período devido ao risco da atuação de ONG´s internacionais que usam os índios como fachada para dominarem nossas imensas jazidas de urânio, nióbio e ouro, confirmadas na área.
Trata-se de uma área de 1,6 milhões hectares onde vivem 17 mil índios ao norte de Roraima. Na região, está localizada uma jazida de nióbio, metal leve de largo emprego na indústria siderúrgica, aeronáutica, espacial e nuclear, que possui 14 vezes todo o nióbio conhecido no planeta, com potencial de extração para até 1200 anos. Além disso, está localizado a maior jazida de ouro do mundo superando em muito todas as reservas dos Estados Unidos. Há ainda jazidas de metais estratégicos como estanho, urânio, diamante, zinco, caulim, ametista, cobre, diatomito, barita, molibdênio, titânio, calcário e tório que ainda não foram totalmente mensuradas.
Na região, há a atuação da ONG internacional Conselho Indigenista de Roraima (CIR), filial brasileira da Amazon Aliance, e que recebe o apoio de entidades como o Norad (governo da Noruega), a britânica Oxfam, The Nature Conservancy (maior ONG do mundo com ativos que superam os bilhões de dólares) e o Greenpeace. Esta Amazon Aliance, que congrega as principais ONG´s ambientalistas-indigenistas internacionais, vem dando as regras na região, estimulando os conflitos entre os indígenas e os arrozeiros e liderando a ação dos índios contra qualquer projeto desenvolvimentista na área.
Desta forma, está claro que é uma região estratégica sob ameaça da cobiça estrangeira, por isso, é necessário que a região seja povoada além de fortificada militarmente por se tratar de uma região fronteiriça. Deve-se respeitar o espaço dos índios, mas o melhor modo de defender a Raposa Serra do Sol é construir município na área, povoá-la, preenchendo com a presença de índios e não-índios, gente que trabalhe, produza, gere atividade econômica, política, social e cultural.
Além disso, há diversos segmentos indígenas como a Sociedade dos Índios Unidos do Norte de Roraima (Sodiur), associação indígena que representa cerca de 5231 habitantes da Raposa Serra do Sol, que pregam a reserva não-contínua, defendendo que comerciantes e pequenos fazendeiros permaneçam na área. Este fato deixa ainda mais claro que o interesse da CIR ao defender a reserva contínua vai muito além da defesa dos índios da região.
* Ubiratan Cassano Santos é Secretário Geral da UNE
** Lúcio Augusto é Diretor da UNE e Presidente da UEE-RR