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6 de maio de 2007
Contra decretos de Serra, estudantes ocupam a reitoria da USP

Os universitários ocuparam a Reitoria em protesto contra cinco decretos emitidos pelo governador José Serra (PSDB) que ameaçam autonomia universitária das estaduais paulistas. Cerca de 300 pessoas ainda estão no local.


Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) ocuparam a Reitoria na noite de quinta-feira (3), em protesto contra cinco decretos emitidos no começo do ano pelo governador José Serra (PSDB). Cerca de 300 pessoas ainda estão no local. Há risco de confronto com a Guarda Universitária, que permanece na entrada do prédio.

Segundo Claudia Drummond, aluna de Ciências Sociais, a principal exigência dos estudantes é de que a Reitoria assuma publicamente uma posição quanto aos decretos, que criaram a Secretaria de Ensino Superior e romperam a autonomia universitária das três universidades públicas estaduais (USP, Unesp e Unicamp). "Em reuniões com o vice-reitor Franco Maria Lajolo, ele se comprometeu a realizar uma audiência pública, entre os dias 14 e 18 de maio, para discutir nossas exigências", afirma Claudia. A reitora Suely Vilela não pôde ser encontrada pois estaria em viagem ao exterior.

O protesto começou na tarde de quinta, depois de um encontro público com a Reitoria, que acabou frustrado. Em assembléia, os alunos decidiram entregar pacificamente uma carta com reivindicações. "A Reitoria estava fechada quando chegamos, e nós forçamos o portão", diz a estudante Ana Morbach. Para ela, a universidade "se nega a dialogar". Houve uma "soma de negligências da Reitoria", tanto com relação ao encontro público quanto por não assumir um posicionamento diante dos decretos.

Até agora, o protesto está concentrado no campus Butantã. Os estudantes organizaram um blog (http://ocupacaousp.blog.terra.com.br) para divulgar as notícias da ocupação. Até agora, a imprensa tem feito a cobertura do lado de fora. "Impedimos a entrada da mídia corporativa porque fomos tratados como vândalos", afirma Claudia. "Sabemos que só ocupar a Reitoria não resolve a questão dos decretos, porque a USP não pode revogá-los. Mas é importante que haja um posicionamento oficial a respeito da questão".

Até agora, houve três reuniões com o vice-reitor Lajolo, sendo que duas aconteceram na sexta. Ele só garante que pode levar o tema para debate no Conselho Universitário, a instância máxima de decisão na USP. "As chances de decidir algo sobre a autonomia, lá, são mínimas. Os estudantes e funcionários têm poucos representantes e eles não são ouvidos", diz Claudia.

Os estudantes apresentaram cinco reivindicações essenciais para que haja a desocupação da Reitoria: além da autonomia, eles pedem a contratação de mais professores para os cursos, a reforma de vários prédios da universidade, que ficaram inundados com as últimas chuvas, e que sejam criadas 594 novas vagas para a moradia estudantil. "O vice-reitor não deu nenhuma garantia de que seríamos atendidos, apesar de ter debatido conosco", sublinha a estudante de Ciências Sociais. Até agora, o único compromisso assinado por Lajolo diz que os estudantes não vão sofrer retaliação pelo ato realizado na Reitoria.


Fonte: Agência Carta Maior


 
 



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