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19 de maio de 2009
Em nota, MST divulga posição em relação à inclusão de acampados no Bolsa Família

O jornal Folha de S. Paulo acusa movimento de esvaziamento por conta do recebimento do benefício

Segundo levantamento da Folha, em reportagem publicada no domingo passado o número de famílias que invadiram terras no Brasil caiu de 65.552, em 2003, para 44.364, em 2006 -queda de 32,3% e o Programa Bolsa Família foi um fator determinante para o esvaziamento dos movimentos sem terra durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa questão gerou muita polêmica, com opiniões contrárias ao programa dizendo que o assistencialismo diminui a combatividade do movimento para que, continuem em busca de sua conquista prioritária: a reforma agrária.

O MST (Movimento Sem Terra) divulgou nota disseminando a posição do movimento em relação a polêmica dizendo que defende todas as políticas públicas que contribuam para resolver os problemas emergenciais das famílias de trabalhadores pobres do campo e da cidade, como a cesta básica e o programa Bolsa Família. No entanto, consideram insuficientes essas políticas assistencialistas, que são limitadas e não resolvem os problemas estruturais da sociedade brasileira, como a terra, educação, saúde e habitação.

Segundo o Movimento dos Sem Terra "o assentamento imediato de todos os acampados e a atualização dos índices de produtividade como medidas emergenciais para resolver os problemas das famílias que vivem na beira de estradas em todo o país é fundamental", além disso, são contrários às políticas do governo para ajudar os bancos e grandes empresas diante da crise econômica mundial, que vai piorar as condições de vida de todos os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade.

Para o Movimento dos Sem Terra a solução para os trabalhadores rurais é a realização de uma Reforma Agrária Popular e um programa de agroindústrias em todas as cooperativas de assentamentos, para garantir a produção de alimentos para toda a população e a geração de renda para as famílias assentadas.

Segundo o diretor de movimentos sociais da UNE, Juliano Medeiros, "O caráter assistencialista do Bolsa-Família, como qualquer política deste tipo, tem como um dos efeitos uma certa acomodação dos indivíduos e uma menor disposição para se mobilizarem. Isso, porém, não significa que a luta por reforma agrária ou o papel que o MST cumpre perderam sua atualidade histórica".

Para o Professor Lejeune Mirhan, Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, "O bolsa família não é o responsável pelo esvaziamento do Movimento Sem Terra, é apenas uma forma de minimizar a desigualdade social do país, até porque os beneficiados são os assentados e não os acampados, o que é natural após o assentamento a família dedicar-se apenas a sua terra e não mais ao movimento".


Da Redação


 
 



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