Mumia Abu Jamal, líder anti-racista afro-americano e o mais antigo preso político nos EUA, completou 25 anos no corredor da morte no sábado, dia 9. Jamal foi acusado de um crime que não cometeu e condenado por um tribunal presidido por juiz declaradamente racista. Apesar da existência de provas e testemunhas que atestam sua inocência, até hoje a revisão do julgamento viciado tem sido repetidamente negada.
Diversas manifestações de protesto contra a prisão de Abu Jamal ocorrem no mundo inteiro, impedindo sua execução. Em outubro de 2006, o advogado Robert Bryan conseguiu que se admita a possibilidade de abertura de um novo processo. A defesa apresentou três questões para anular a condenação à morte. Primeiro, o racismo do presidente do tribunal que condenou Mumia: "Eu não descansarei até que este negro seja bem torrado!", disse. O juiz morreu recentemente. Segundo, a escolha dos jurados se apoiou no racismo: nomes de afro-americanos eram excluídos de antemão. Terceiro, o procurador mentiu para os jurados dizendo que se eles declarassem Abu Jamal culpado, o processo iria, de qualquer maneira para um recurso e, portanto, essa decisão não faria diferença. "A justiça dos Estados Unidos está exposta como poucas vezes nesse processo. É uma irregularidade atrás da outra", afirmou Bryan.
Solidariedade
"Nunca deixei de acreditar na minha liberdade. Nem por um segundo", assinalou Jamal, em reconhecimento de que "o sentimento de justiça só tem crescido no mundo e a solidariedade só aumenta".
Mumia Abu Jamal está no corredor da morte, acusado falsamente de matar um policial branco da Filadélfia. Não recebeu um julgamento imparcial; o sentenciaram a morte por suas crenças políticas.
Militou nos Panteras Negras da Filadélfia ainda aos 15 anos. Posteriormente, trabalhou como jornalista em uma emissora de rádio, os ouvintes lhe chamavam de a "voz dos que não têm voz". Colocou seu talento jornalístico a serviço do povo, criticando o racismo e a brutalidade policial. Em 1980, com a idade de 26 anos, foi eleito presidente da sessão Filadélfia da Associação dos Jornalistas Negros.
Por todas essas razões era visado e perseguido pela polícia e pelas autoridades do Estado. Tentaram matá-lo, mas fracassaram; então o acusaram falsamente de homicídio de um policial chamado Daniel Faulkner. Mumia tem passado os últimos anos no corredor da morte, em isolamento total 23 horas por dia. Todo contato físico com seus familiares lhe é negado. As autoridades penais abrem e fotocopiam correspondência confidencial sobre seu processo judicial. Foi castigado por escrever o livro Live from Death Row (Ao Vivo, do Corredor da Morte). Proibiram seus comentários através do rádio. Nas palavras de Abu Jamal: "Não basta minha morte, querem meu silêncio".
Fonte: Agência CUT