O início de 2010 fica marcado pelas lutas por tarifas justas de transporte coletivo. Destaque para o arquivamento do PL da Meia Passagem no Rio e o aumento abusivo em São Paulo, que gerou protesto.

Os estudantes do Rio de Janeiro tiveram uma surpresa desagradável logo na primeira semana de 2010: o Projeto de Lei 492/2009 que instituía a meia passagem para os universitários da cidade foi arquivado em pleno recesso parlamentar, no último dia de 2009.
“No apagar das luzes foi editado um parecer conjunto das comissões da Câmara de Vereadores pedindo o arquivamento do PL. Não houve qualquer debate, e a responsabilidade é do Poder Executivo”, desabafa Flávia Calé, presidente da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE-RJ). Calé defende que dependia do prefeito, Eduardo Paes, a construção das bases para a aprovação do PL, afinal os vereadores não conheciam a matéria em pauta.
“É um compromisso de campanha do prefeito, que não construiu politicamente o trâmite do PL para a aprovação. Demos alguns passos para trás. Depois da criação do projeto, resultado de muita pressão do movimento estudantil, voltamos à estaca zero”, comenta Calé desapontada. Mas a presidente da UEE-RJ garante que os estudantes cariocas não vão ceder e já antecipa que em março será realizada a jornada de lutas, com mobilização para a conquista do benefício.
Durante a semana, a diretoria da entidade carioca se reuniu com os vereadores, procurando esclarecer o PL e estimular a criação de uma frente parlamentar que apóie a regulamentação da meia passagem. “Voltamos a virar reféns da boa vontade do poder executivo”, diz Calé.
Em São Paulo, protestos contra o aumento do preço da passagem, que supera a inflação
Já na capital paulista, não só os estudantes sofrem com o reajuste da passagem de ônibus – que foi de R$ 2,30 para R$ 2,70 – aumento de 17,39%.
O valor é superior à inflação do período, que, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 15,36% entre novembro de 2006 e dezembro de 2009.
Uma manifestação reuniu no centro de São Paulo cerca de 500 pessoas, que realizaram uma caminhada do Vale do Anhangabaú até o Terminal Parque Dom Pedro contra o aumento autorizado pelo prefeito Gilberto Kassab. Houve confronto com policiais, que tentaram impedir o ato de protesto, promovido também pelo coletivo Movimento Passe Livre (MPL). Três manifestantes ficaram feridos.
Para a diretoria da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), iniciando nova gestão, lembra que esta luta não é só dos estudantes, mas de toda a população de São Paulo, e já planeja novas mobilizações com a retomada das aulas. “Nossa bandeira prioritária é o passe livre para os estudantes. E nesse momento exigimos da prefeitura 60% de desconto na tarifa”, afirmou Tarcísio Boaventura, presidente da UPES.
Fontes:
UEE-RJ - http://ueerio.blogspot.com/
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