O grupo é formado por 44 alunos beneficiados por sistema de cotas. Para a UNE, o sistema se configura em um instrumento de inclusão social e democratização do ensino superior
Nesta terça-feira (2), os 44 alunos cotistas de diversos cursos da Universidade de Brasília (UnB) reuniram-se para comemorar a conclusão de seus estudos.
Esses alunos são os primeiros estudantes formados pela universidade beneficiados pelo sistema de cotas. Catarina Soares entrou na UnB com a certeza de que participava de um momento importante. No decorrer do curso de Biblioteconomia, ela se concentrou nos estudos e quase esqueceu que era cotista. Mas na formatura a importância do pioneirismo se evidenciou. "O caminho que trilhamos foi muito importante", ressalta.
Ela lembra que nos primeiros semestres quase não via alunos negros nas salas de aula. Situação que começou a mudar nos semestres seguidos. "Hoje a situação é diferente. A cada dia vemos mais alunos negros", afirma Catarina. Para ela, uma sociedade com mais médicos e advogados negros será fundamental para acabar com o preconceito.
"Isso não acaba com o racismo e a discriminação, mas ajuda os alunos a competirem com mais igualdade", afirma a assessora de diversidade e apoio aos cotistas da UnB, Deborah Silva Santos. Para ela, a entrada desses alunos mudou a cara da instituição. "O Centro de Convivência Negra foi construído, a Assessoria de Diversidade e Apoio aos Cotistas foi criada", lembra. "Essas coisas vão ficar na universidade", completa.
"O debate sobre o sistema de cotas sempre esteve em pauta no movimento estudantil. No nosso entendimento existe um recorte social muito expressivo na sociedade brasileira por causa desse sistema do vestibular, onde as camadas mais populares não chegam a ingressar na universidade pública porque não conseguem fazer um bom Ensino Médio numa escola particular e não conseguem pagar um bom cursinho pré-vestibular. O sistema de cotas, sem dúvida, se tornou um instrumento de inclusão social e democratização do ensino superior", avalia a presidente da UNE, Lúcia Stumpf.
Dificuldades
A professora da Faculdade de Comunicação, Dione Moura, foi relatora da Comissão de Implementação do Plano de Metas para Integração Social, Étnica e Racial da Universidade de Brasília. De acordo com ela, implantar o sistema de cotas na UnB foi difícil para todos, mas trouxe recompensas. "A UnB hoje é um exemplo para o Brasil", afirma. Ela ressalta que, ao contrário do que se pensava, a qualidade do ensino não piorou com a chegada dos cotistas.
Da Redação
Com Portal UnB