Depois de passar por todos os estado do sudeste, o ônibus da Caravana aportou no campus Curitiba da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR)
Depois de ter completado a primeira etapa da viagem com a conclusão da região sudeste do país, esta segunda-feira (1/09), o ônibus da Caravana da UNE: Saúde, Educação e Cultura deu início a sua passagem pela região Sul. O primeiro estado visitado, nesta segunda etapa da expedição foi o Paraná.
A PUC-PR foi a universidade que recebeu as atividades da Caravana. Logo de manhã o campus Curitiba foi tomado pelos artistas do Tá na Rua que recepcionaram os estudantes com esquetes teatrais e arte circense.
Depois da calorosa recepção, os estudantes foram convidados a participar do debate sobre "Drogas: Legalizar ou não?" que contou com a presença do psicólogo Vanderley Antônio Alves, especialista em clínica de dependentes químicos e de Ronaldo Pinto Jr., diretor de Assistência Estudantil da UNE.
Ronaldo fez uma retomada histórica sobre a criminalização da maconha, e da sua relação com a cultura negra em rituais religiosos. "Os negros fumavam maconha em rituais de Umbanda. Eles foram libertos em 1888 e em 1903 a maconha é criminalizada, num sentido de criminalizar a cultura do negro recém-liberto", disse.
Além disso, levantou também a questão da garantia à liberdade e livre arbítrio dos indivíduos. "A discussão acerca da legalização das drogas deve passar necessariamente pela discussão das liberdades individuais e sua seguridade", completou.
Vanderley Antônio Jr. tratou a maconha e sua legalização do ponto de vista clínico. Afirmou que a planta tem efeitos negativos para o usuário sim e que apesar de causar danos, ela também cumpre uma função na vida da pessoa.
Entre as principais e mais recorrentes funções, segundo o psicólogo, estão em primeiro lugar as relacionadas à significação de grupo, em segundo, a problemas pessoais e a terceira relacionada à constituição do sujeito, como facilitadora de situações do dia-a-dia.
Sobre a dependência, o Dr. Vanderley falou que hoje são admitidas três naturezas de dependência quando se tratando da maconha: a orgânica, a física e a comportamental. E que a maior dificuldade de prevenção é a falta de capacidade da própria medicina de diagnosticar com antecedência quando o indivíduo passará de usuário para dependente. "Nós não sabemos quando o usuário deixará de ser usuário para se tornar um dependente".
Em relação ao usuário, Vanderley diagnostica dois comportamentos que são recorrentes. O primeiro consiste na negação da dependência e o segundo é a ansiedade que decorre da consciência do indivíduo da necessidade de parar.
Reginaldo do Nasciemnto Santos, 19 anos, estudante de Educação Física da UniBrasil, participou do debate realizado na PUC e pontuou a emergência em levar informação para as regiões marginalizadas. "Antes de legalizar é preciso levar informação para a periferia. As pessoas precisam saber das consequências do consumo da maconha".
André Calixto, 20 anos e José Arthur, 20 anos, ambos estudantes de Engenharia Ambiental saíram satisfeitos da atividade.
"Este já é o meu segundo ano na PUC e é a primeira vez que eu participo de um debate nesse sentido.", disse André que completou afirmando que sente uma divisão entre as Universidades públicas e privadas, pautada, sobretudo na pesquisa. "Vive-se hoje em dia duas realidades no ensino brasileiro, o Ensino Público, que incentiva a pesquisa, o que resulta numa união maior dos estudantes em torno de questões atuais e importantes. De outro lado, temos a universidade privada, cuja prioridade é o mercado de trabalho. E por isso, que debates como o de hoje, aqui, acabam nunca acontecendo".
José Arthur defende a realização de atividades nesse sentido, pois acredita que as pessoas só podem formar opinião sobre um assunto a partir do momento que passam a compreendê-lo. "Conseguir expor suas opiniões numa roda de conversa e absorver a opinião do outro já significa um grande avanço na construção de outra sociedade com outros valores".
Clique aqui e leia o depoimento de Bruno Vanhoni, ex-diretor da UNE sobre o tema. Foi durante sua gestão que o debate sobre legalização das drogas foi pautado como demanda do Movimento Estudantil.
Durante a tarde foi exibido o filme S.O.S Saúde, do diretor norte-americano Michael Moore e aconteceu a Oficina de Malabares, que foi recebida com entusiasmo pelos estudantes.
Logo em seguida houve outra apresentação do Tá Na Rua, dessa vez entre os blocos Amarelo e Verde, em frente à tenda da Caravana que permaneceu montada todo o dia.
Encerrando a passagem da Caravana pelo Paraná, o debate sobre "Saúde, Educação e Cultura para um novo Brasil: Desenvolvimento e políticas públicas" reuniu a presidente da UNE, Lúcia Stumpf, o coordenador geral do Instituto CUCA, Alexandre Santini, além do Dr. Sílvio Fernandes, da diretoria do CEBES e o Dr. Mario Ferrari, do Sindicato dos Médicos do Paraná e Joseli, representante da Secretaria Estadual de Saúde do Estado do Paraná.
Foram realizados também, paralelamente às demais atividades, o Teste Rápido de HIV e a Campanha Nacional de Vacinação contra Rubéola, que imunizou 131 pessoas, em sua maioria estudantes.
Acompanhe as atividades da Caravana no Hotsite.
Da Redação