Os alunos, que continuam acampados na reitoria da Universidade de São Paulo, se uniram à trabalhadores na luta contra a política neoliberal do governador de São Paulo, José Serra. Os mais de 500 manifestantes defendem a educação pública de qualidade e a manutenção dos direitos dos trabalhadores
O vão livre do Masp, já tradicional ponto de concentração de protestos na capital paulista, foi palco na tarde desta quinta-feira da união entre professores, trabalhadores e estudantes. Mais de 500 pessoas se reuniram para protestar contra o desmonte da educação pública no estado e contra a tentativa de suprimir os direitos dos trabalhadores, manobras do governo do tucano José Serra.
O protesto reuniu representantes da CUT, Central Única dos Trabalhadores, APEOESP, Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, além de estudantes da USP e diversas entidades estudantis e sindicatos.
O presidente da APEOESP, Carlos Ramiro de Castro, resumiu o objetivo do ato. "Estamos aqui para lutar pela valorização dos professores, pela manutenção dos direitos e mais conquistas para os trabalhadores, contra o sucateamento dos serviços públicos, pela afirmação do direito público à educação e também para declarar apoio à luta dos estudantes da USP", enumerou.
Estudantes da USP
Quatro ônibus fizeram o trajeto USP-Butantã – Masp. A reportagem do EstudanteNet conversou com a aluna de ciências sociais, integrante do DCE da instituição, Lea Marques. Para ela a unificação de diferentes setores da sociedade civil só reforça a urgência de barrar o projeto neoliberal de José Serra.
"Mesmo cada um dos setores tendo suas pautas próprias, esse protesto mostra que todos reconhecem a importância de combater o projeto de Serra para São Paulo, e também tira o debate dos fóruns de deliberação dos movimentos sociais e estudantis e leva a questão ao conhecimento da sociedade", avalia.
Entidades unidas aos estudantes
Do alto do carro de som, o presidente da Adusp, Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo, César Augusto Minto, afirmou que todos precisam se unir em prol desta luta. "O protesto de hoje é uma vitória. Há muitos anos não conseguíamos unir essas três categorias tão importantes da sociedade. Unidos teremos mais força para lutar contra o sucateamento das universidades públicas, patrimônio de todos os brasileiros".
Enquanto isso no acampamento...
Depois de duas reuniões oficiais com a reitora Suely Vilela, que aconteceram nesta terça e quarta-feira, respectivamente, as negociações continuam na mesma.
"A proposta da reitoria abrangeu apenas a questão da moradia estudantil, Ofereceu 190 vagas para o campus Butantã e mais 136 vagas que seriam divididas igualmente entre São Carlos e Ribeirão Preto. Hoje (10) a noite nos reuniremos em Plenária para discutir esses pontos", informou Lea.
A estudante lembra que há uma questão que não está aberta a negociações. "É importante dizer que, a todo momento, nós solicitamos à reitora que assine um documento assegurando que nenhum estudante envolvido na ocupação será punido. Ela afirma verbalmente que isso está fora de cogitação mas não assina nada".
Reitoria vira sala de aula
Lea contou a reportagem que a ocupação está recebendo apoio dos professores da instituição. Prova disso é que na tarde da última quarta-feira (9), a reitoria da universidade se transformou em sala de aula para receber o professor de Teoria da História, Jorge Grespan, que falou aos estudantes sobre a dialética de Hegel e Marx
Acompanhe tudo o que acontece no acampamento dos estudantes na reitoria da USP pelo blog e pela rádio da ocupação.
Danielle Franco
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