Às 16 horas, terminou vigília em frente ao prédio do STF
Acampados desde ontem (15), às 16 horas, em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, manifestantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) permaneceram até às 16 horas de hoje, quando completaram 24 horas de protesto contra a corrupção e a impunidade no País.
Neste mesmo horário, o presidente do (STF), ministro Gilmar Mendes, recebeu o presidente da Lituânia, Valdas Adamkus. Quando o ministro apareceu, os estudantes gritaram as frases "O Gilmar Mendes preste atenção, solta banqueiro sabendo que é ladrão" e "Cadeia pra banqueiro não para o trabalhador". Enquanto gritavam, tentaram entregar ao ministro uma carta escrita pelos estudantes e assinada pela UNE, contra a corrupção e a impunidade. O documento não foi recebido por Mendes.
A presidente da entidade, Lúcia Stumpf, encerrou o ato lendo a carta ao público presente, que cantou o Hino Nacional em seguida. "A vigília foi positiva, porque conseguiu mostrar para o STF que os estudantes estão mobilizados e querem o fim da corrupção. Vamos continuar acompanhando o caso para que não haja impunidade", declarou a presidente.
Lúcia informou ainda que na quinta-feira (24) haverá, a partir das 11h30, outro ato contra a corrupção em parceria com a OAB. Desta vez será em frente à OAB/RJ e contará com a presença do ministro da Justiça, Tarso Genro.
As manifestações são por conta da operação que investiga os crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.
Foram presos o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e mais 14 pessoas suspeitas de integrar a quadrilha.
A entidade critica e também quer esclarecimentos sobre a postura do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, que concedeu o segundo habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas. Ao criticar, por exemplo, a pirotecnia da PF, Mendes também condena a atuação de juízes que determinam interceptações telefônicas prolongadas e prisões que considera desnecessárias. Para a UNE, esse é outra importante questão que merece ser investigada.
Confira a carta da UNE e UBES na íntegra:
CONTRA A IMPUNIDADE
Direitos iguais a todos os brasileiros!
Pela volta à prisão de Daniel Dantas e sua quadrilha.
A União Nacional dos Estudantes faz coro aos milhares de brasileiros que se indignaram com as recentes notícias envolvendo decisões do Poder Judiciário.
É revoltante ver que acusados de grandes crimes financeiros, envolvendo interesses e recursos da União, como no caso da participação do Banco Opportunity, de Daniel Dantas, no processo de privatização da telefonia no Brasil, recebam tratamento diferenciado pelo STF.
É gritante a disparidade com que o Poder Judiciário brasileiro trata ricos e pobres. Enquanto os senhores Dantas, Nahas e Pitta gozam de liberdade graças à presteza da resposta deste Tribunal aos pedidos de hábeas corpus, contra a população carente todo tipo de abuso e ilegalidade são cometidos diariamente. É corriqueiro no Brasil acompanharmos casos de presos que não recebem assistência judiciária pública, homens e mulheres que amargam anos na prisão aguardando o julgamento de seus processos ou pedidos de hábeas corpus.
Mais grave ainda é notar a acelerada tendência de criminalização dos Movimentos Sociais por parte desse mesmo Poder Judiciário. Enquanto grandes criminosos do colarinho branco são soltos, criminalizam a luta daqueles que querem construir um Brasil melhor e mais justo para todos, proibindo a realização de atos e passeatas e expedindo mandatos de prisão a líderes de entidades políticas. Na mesma medida e rapidez com que a Justiça proíbe a realização de atos e passeatas legítimas da sociedade civil organizada, concede a liberdade a criminosos de grandes quadrilhas organizadas em situações que causam revolta e perplexidade aos cidadãos brasileiros. Lembramos a celeridade com que o STF concedeu hábeas corpus ao banqueiro criminoso Salvatore Cacciola, após a prisão deste pela Polícia Federal, para mais tarde assistí-lo fugir do País, confessando assim a autoria dos crimes de que era acusado. A criminalização dos movimentos sociais opera um movimento de deslegitimação dos sujeitos coletivos, querendo igualar ao crime manifestações em defesa da educação ou pelo direito à terra.
No ano em que a Constituição democrática brasileira completa 20 anos, convivemos ainda com inúmeros casos de flagrante injustiça e diferença no tratamento dado pelo Poder Judiciário, a depender da classe social do indivíduo. É por tudo isso que nós, estudantes, fazemos esta vigília de 24 horas para abrir os olhos da Justiça brasileira e colocá-la novamente a serviço dos interesses do povo e do País e não funcionando como privilégio de poucos. Desta forma, nos colocamos favoráveis às investigações feitas para desmascarar grandes quadrilhas envolvidas em esquemas financeiros que operam contra os interesses nacionais e valorizamos a atuação da Policia Federal na Operação Satiagrahas, que de forma exemplar desbaratinou esta quadrilha que já trouxe grandes prejuízos aos cofres públicos brasileiros.
Pela prisão dos acusados de crimes financeiros neste País e pela moralização do Superior Tribunal Federal, com a punição de todos os envolvidos.
Da redação