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29 de maio de 2008
Diante de processo de precarização do ensino, estudantes protestam e divulgam manifesto na Estácio de Sá de Santa Catarina

Estudantes da Faculdade Estácio de Sá realizaram Assembléia Geral e passeata contra a ameaça de demissão de professores e autoritarismo da instituição

Os estudantes da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina participaram na noite da ultima quarta feira (21) de Assembléia Geral, para questionar a democracia, participação, qualidade de ensino e métodos pedagógicos aplicados pela instituição.

As mobilizações começaram quando os estudantes ficaram sabendo do corte de professores com mestrado e doutorado para o próximo semestre e convocaram uma Assembléia. O vice-presidente do C.A. de Direito, Maurício Rosa, abriu o debate apresentando a situação precária da instituição e questionando a falta de espaços para os alunos avaliarem a situação da faculdade.

Os estudantes levaram cartazes e explanaram sobre os problemas da instituição de ensino, apontaram dados financeiros que expressam o processo de mercantilização da faculdade. As reivindicações travadas no debate giravam em torno da participação democrática de alunos nas decisões, a melhoria da qualidade de ensino e da estrutura e por fim, a mudança de métodos pedagógicos praticados e a transparência dos gastos.

Para o diretor de escolas comunitárias da UNE, Tiago Andrino "esta situação não é exclusiva da Estácio de Sá, o Brasil passou por um longo processo de desregulamentação do ensino superior durante a década de 90. Neste ambiente, torna-se possível esta postura autoritária das reitorias, que comprometem a qualidade do ensino em busca de ampliação dos lucros."

Os estudantes aprovaram um manifesto com suas reivindicações durante a assembléia. Cerca de 500 jovens se uniram e fizeram uma passeata pela Faculdade, parafraseando cantigas como "Ari tu não me engana, é meu dinheiro que tu ama!". O manifesto, recebido pelo diretor geral da Estácio de Sá em Santa Catarina, Ary Oliveira Filho que se comprometeu a responder a receber os estudantes e responder as reivindicações.

Confira o manifesto na íntegra:

Manifesto dos acadêmicos da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina

O estado de Santa Catarina vive seu momento mais critico em relação à educação, somos o pior estado em termos de ofertas de vagas públicas e gratuitas de ensino superior.

Neste contexto, as instituições privadas vêm assumindo um papel de extrema relevância na formação de profissionais qualificados, fazendo frente aos desafios e demandas do mercado de trabalho, o qual exige em todo momento a melhor qualificação.

Contudo, as instituições de ensino têm-se mostrado incapazes de formar um profissional crítico e protagonista das transformações que a sociedade contemporânea necessita.

A Faculdade Estácio de Sá, que já nasceu como uma sociedade civil de caráter filantrópico, sem fins lucrativos publicou do Diário Oficial de 27/04/2007, sua mudança para sociedade empresarial, com capital aberto, "com fins lucrativos".

Com essa mudança estrutural, o acionista quer retorno do investimento e para tanto a Faculdade Estácio de Sá compromete-se em implementar uma série de medidas administrativas nas principais áreas de atuação da sociedade, dentre as quais destacou-se a "racionalização geral dos processos operacionais e acadêmicos, visando à redução de custos e ao aumento na produtividade".(Grifo nosso)

A partir do exposto, declaramos o nosso descontentamento e preocupação com os reflexos destas mudanças, principalmente com as suas conseqüências na qualidade de ensino, pois a principal área de atuação desta instituição é a prestação de serviço educacional. Como transformar ensino de qualidade com redução de custo e aumento da produtividade?

Isto posto, nós da comunidade acadêmica, estamos apresentando as reivindicações e solicitando esclarecimentos. Queremos participação em toda e qualquer demanda da faculdade Estácio de Sá, sobre as alterações que possa significar redução da qualidade do ensino prestado por esta instituição.

Para tanto é necessário que algumas medidas essenciais sejam atendidas por esta Instituição:

1) Explicações sobre redução de custos contidas no balanço patrimonial.

1.1 Unificação de ementas? Demissão de professores qualificados?

Diminuição da hora-aula para hora-relógio, diminuindo a presença do aluno em sala de aula com professor?

2) Assento no conselho deliberativo desta instituição de no mínimo de 30% de acadêmicos, escolhidos pelo Diretório Central, do número de participantes do colegiado em todas as questões e demandas sobre a principal área de atuação desta instituição, prestação de serviço educacional de qualidade;

3) Informações sobre a tabela de custos dos valores das mensalidades e a destinação dos recursos. Tornando todos os atos públicos, em sites, murais e boletins impressos.

Hoje, é imprescindível que exista uma relação democrática em todas as instituições, seja ela privada ou pública. E a Estácio não pode fugir a regra.

É uma luta legítima e justa, pois está em discussão a qualidade de ensino que refletirá diretamente em nossa vida profissional. Aqui, passamos cinco anos de nossas vidas e que eles sejam de efetiva qualidade.


Caroline Concado
(NetRepórter)

 


 
 



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