Ato de repúdio ao uso da Tropa de Choque reúne movimentos sociais, professores, alunos e parlamentares
Os movimentos sociais condenaram a ação brutal e covarde a que foram submetidos na madruga desta quarta-feira, quando a Tropa de Choque retirou com violência os manifestantes que ocupavam pacificamente a Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco.
Marcada para acontecer às 15h, a manifestação reuniu cerca de 300 pessoas e teve como alvo principal o governador José Serra e o diretor da Faculdade João Grandino Rodas, a dobradinha mais sinistra dos últimos tempos.
Em mais um ato autoritário, Rodas mandou fechar as portas da instituição no momento do ato. Irreverentes, os estudantes da Faculdade colaram na porta uma faixa com os dizeres: "USP invadida pelo diretor da Faculdade", numa referência à proibição do livre acesso que foi imposto aos alunos.
Faixas pretas foram colocadas nas estátuas em volta do prédio e todos os presentes usaram fitas da mesma cor no braço. A mensagem era clara: a USP estava de luto em razão da barbárie e covardia encomendada pelo diretor e assinada pelo governador.
"Atentado"
Para a presidente da UNE, Lúcia Stumpf, o corrido foi um atentado contra "o povo, os negros, os pobres, os índios, e todos aqueles brasileiros que lutam para democratizar a educação no país".
Lúcia bateu forte no governo Serra, que, segundo ela, foi o grande responsável pelo uso da força contra "estudantes, idosos, mulheres, e até crianças". A presidente da UNE aproveitou para mandar um recado: "Estamos aqui para dizer ao Serra e ao Rodas que o movimento não vai baixar a cabeça e que as ocupações e protestos vão se intensificar, agora mais unidos e fortalecidos".
A diretora da UEE-SP Jéssica Monteiro considera que ''o governador José Serra já mostrou a que veio quando fez os decretos que feriam a autonomia universitária, quando mandou a tropa de choque desocupar os estudantes da Unesp de Araraquara e quando demitiu os funcionários do Metrô. José Serra não só criminaliza os movimentos sociais, como se julga acima da Constituição. Os movimentos sociais devem se unir para resistir ao autoritarismo do tirano''.
O integrante da Conlutas, Zé Maria, prestou solidariedade a todos que estavam na ocupação, criticou a ação da Tropa de Choque e disse que a pressão dos movimentos sociais vai crescer daqui pra frente. Ele citou o Plebiscito da Vale do Rio Doce, de 1º a 7 de setembro, como o próximo desafio.
"Rodas: traidor"
Magno Carvalho, do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), chamou o diretor da Faculdade de "traidor". Ele contou que havia um documento previamente acertado entre a direção e o movimento, onde estava claro de que não haveria reintegração de posse. "Vamos pedir a cabeça deste diretor. Ele traiu uma negociação. É um traidor", disse.
Quem se somou ao protesto foi o movimento Hip Hop, que usou da vez ao microfone para afirmar a unidade dentro da Jornada de Lutas. Já o Coordenador da Educafro, Douglas Belchior, evidenciou a discriminação com que a ocupação foi tratada. Ele a comparou com o ocorrido na reitoria da USP para dizer que quando a direção ficou sabendo que tinha "preto, pobre, favelado", a manifestação não durou mais que 12h. Na reitoria, os estudantes ficaram acampados mais de 50 dias.
"Lonas Pretas"
O integrante da Coordenação do MST, João Paulo Rodrigues, desafiou o governo ou o diretor a calarem o movimento. "Vamos ocupar quantas vezes forem necessárias. Da próxima vez será aqui em frente, na porta. Tenho certeza de que vai ser lindo um monte de lona preta aqui", disse. Ele citou Che Guevara ao dizer que o sonho destes protestos é "garantir que a universidade seja pintada de todas as cores, azul, verde, amarelo, rosa".
O presidente da Adusp (Associação dos Docentes da USP), professor Otaviano Helene, citou números para mostrar o imenso abismo existente na educação do estado. Ele disse que 40% dos jovens paulistas não concluem o ensino médio e que 30% não terminam a etapa fundamental. Helene destacou a luta contra a exclusão e reconheceu a Jornada como um importante instrumento de luta e conquistas.
O DCE da USP também participou do ato e reafirmou a importância da unidade que vem sendo construída ao longo da jornada. Estiveram presentes o deputado estadual Roberto Felício, presidente da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, além de representantes da Marcha Mundial das Mulheres, Intersindical e Andes.
Da Redação
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