Cerca de 500 estudantes se encontram no prédio e já levantaram acampamento. Manifestantes querem democratização da faculdade, considerada pouco inclusiva
Cerca de 500 estudantes e representantes dos movimentos sociais ocuparam, nesta terça-feira, 21 de agosto, a mais antiga instituição de ensino do Brasil, a Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, em São Paulo. A instituição, fundada em 1827, foi tomada pacificamente em meio às atividades da Jornada Nacional de Lutas da UNE e da UBES, série de protestos que acontece em todo o país.
Pouco antes da ocupação, a Jornada realizou na histórica Sala dos Estudantes um debate que teve o tema "Universidade e Sociedade". Os movimentos discutiram os 18 pontos das pauta de reivindicação e reafirmaram a necessidade de ampliar o acesso ao ensino superior, com a inclusão dos jovens trabalhares do campo e da terra.
Os movimentos sociais denunciam que apenas 11% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos conseguem vaga no ensino superior e reivindicam o aumento do investimento público em educação para 7% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, o investimento está em torno de 3,5%, um dos menores da América Latina.
Tom Zé
"Ele é artista, é popular, o Tom Zé também veio ocupar". Com este grito é que no início da noite , por volta das 21h, em um ato no pátio da Faculdade foi declarada a ocupação, com ilustre presença do cantor-militante Tom Zé, uma das mais lúcidas vozes da arte brasileira. Participam da ocupação, além da UNE e da UBES, a UEE-SP (União Estadual dos Estudantes), o MSU (Movimento dos Sem Universidade), a Educafro e o MST.
Tom Zé resolveu fazer um show improvisado para os estudantes e declarou apoio ao movimento. Muito a vontade, ele cantou cerca de trinta minutos. "No Brasil tem tudo né. Até movimento do lado de lá, essas coisas. Então, se não for a gente para fazer a diferença, não vai ter jeito. Temos que tomar cuidado para não ficar do lado dos facistas. Vim aqui porque apoio a ocupação. Sei que os estudantes são essa força que falta para o país", disse.
O cantor foi muito aplaudido e abraçado pelos estudantes. Ele ganhou uma jaqueta de frio da UEE-SP e uma bandeira da UNE. Na saída, ainda se encontrou com o amigo e integrante do MST, João Paulo Rodrigues. A irmã de Tom Zé é militante do Movimento Sem Terra. Os dois se cumprimentaram e o músico foi embora desejando boa sorte a todos da ocupação.
Atividades
A organização do protesto programou para o a quarta-feira prometeu debates e outras atividades culturais enquanto o prédio estiver ocupado. A polícia militar foi acionada, vistoriou o prédio e se reuniu com os estudantes e a direção da faculdade para discutir os termos da ocupação. Ao que tudo indica, não haverá pedido de reintegração de posse.
De acordo com o movimento, o objetivo da ocupação é chamar a atenção da sociedade para a necessidade de democratização da Faculdade de Direito da USP, considerada pouco inclusiva e com acesso predominante de estudantes das classes mais favorecidas. Os manifestantes defendem a ampliação no número de vagas na faculdade, um dos pontos principais da pauta nacional da Jornada de Lutas.
"O país precisa universalizar o direito à educação para toda a população, mas precisamos dar atenção especial e prioridade ao campo, que é alvo de um projeto excludente", afirma o integrante do coletivo de juventude do MST, Célio Romoaldo.
Da Redação