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13 de dezembro de 2006
Professores e estudantes se unem em protesto contra reitoria da Unimep

Por email, direção da Universidade Metodista de Piracicaba demitiu 148 professores, sendo que alguns tinham mais de 20 anos na instituição; grupos está acampado em frente ao campus Piracicaba-Taquaral

O EstudanteNet acompanha a movimentação dos protestos de alunos e professores da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), que permanecem mobilizados contra as recentes atitudes da reitoria.

Na última quinta feira (7), véspera de feriado na cidade, o reitor Davi Ferreira Barros, comunicou, por meio de um e-mail via mala direta, a demissão de 148 professores. Quem informa é a diretora da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), Marina Cruz, que tem acompanhado o "Caso Unimep".

Em conversa com a reportagem, o presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes), Eduardo "Mineiro" Freitas, contou como se deu a mobilização de alunos e docentes em relação ao fato que desencadeou a atual crise na instituição.

O estudante relatou que, por conta da atitude da reitoria, estudantes e professores se reuniram em protesto às demissões na noite da mesma quinta-feira, armando de improviso um acampamento em frente ao campus Piracicaba-Taquaral. "Os manifestantes ainda estão alojados no local e pretendem permanecer lá até que a situação seja resolvida", disse.

Eduardo explica que a demissão dos docentes infringe os direitos acadêmicos, desestruturando a grade curricular e a qualidade de ensino. Ele adianta que o próximo passo será dado quarta feira (13), após a reunião do Consun (Conselho Universitário), composto por alunos, professores, funcionários e reitoria.

A pauta da reunião será baseada na democratização das atitudes tomadas pela reitoria. "É preciso referendar as decisões, antes que elas venham à tona, pois a reitoria não pode se posicionar por si só", critica o estudante.

Docentes se unem aos estudantes
Na segunda feira (11), foi realizada uma assembléia organizada pelos membros da Adunimep (Associação dos Docentes da Unimep), com mais de 1000 pessoas presentes. Depois de um longo debate, o conjunto dos professores da Unimep resolveu entrar em greve, solicitando a readmissão dos professores desligados.

Paulo Figueiredo, mesmo tendo em seu currículo 18 anos como professor da instituição, está entre os tantos outros demitidos por e-mail. Na sua opinião, a forma como os docentes foram desligados foi "uma covardia".

O professor avalia, mais amplamente, outros aspectos da crise. Para ele, o período pós-demissões pode representar o início de um sistema de "cabide de empregos", no qual os docentes que tinham seus cargos legitimados, por processos eleitorais e concursos públicos, seriam substituídos por profissionais desprovidos de mérito técnico-acadêmico, sem que houvesse nenhum tipo de avaliação para a colocação dos mesmos.

"Isso que vem acontecendo, além de ser uma falta de respeito com os alunos e professores, representa ‘o fim da instituição’ e o desmonte da universidade, que mantinha um ótimo conceito, construído com o auxílio de todos", diz o professor. E desabafa: "A atual administração pode por tudo a perder, pois prioriza o ensino com um viés comercial. Portanto, a nossa luta é em defesa da instituição, num modo geral que, certamente, será prejudicada em sua estrutura, por conta dessas recentes atitudes".

Reitoria tenta se explicar...
A reitoria alertou que a situação pode ficar ainda pior, pois não realizou os cálculos de quantos professores podem mais ser demitidos até que a universidade consiga equilibrar as contas.

Ainda na segunda-feira (11), o reitor abriu uma portaria adiantando para aquele dia o recesso escolar. Segundo os alunos e professores, a manobra, de certa forma, pretendia anular o efeito das manifestações.

Na mesma portaria, o reitor teria afirmado que, seguindo a orientação da auditoria, a universidade tem que estabilizar o gasto com pessoal ao patamar de 60% do orçamento. Nesse caso, ele explicou que, "para o ano de 2007, a previsão orçamentária estava com déficit de mais de R$ 25 milhões".

Na manhã desta terça-feira (12), em entrevista a uma rádio educativa do município, o reitor falou sobre o ‘caso Unimep’ e justificou as demissões baseando-se na crise financeira. A declaração da reitoria foi "linkada" com o depoimento de alunos e professores, indignados com a atitude da direção da universidade.

....Estudantes voltam a se manifestar

Depois disso, um grupo de manifestantes organizou passeata, que partiu do mercado municipal de Piracicaba, até o colégio Piracicabano, no centro da cidade.

O manifesto, dessa vez, foi incrementado por um protesto sonoro que reunia a batucada da bateria e a barulheira do carro de som. Além disso, os manifestantes se encarregaram de panfletar e discursar sobre a situação vivida em que se encontra a Unimep, a fim de externar o caso para a sociedade piracicabana.

A aluna de Engenharia Química da instituição, Jéssica Bertanha, em email enviado à redação do EstudanteNet, expressa a situação de tensão vivida por alunos e professores dentro da instituição. "Indignação e falta de respeito são as palavras certas para transmitir tudo que os alunos e professores da Unimep estão sentindo. Nós, os alunos, perguntamos: E agora? Manifestações foram realizadas e os protestos vão continuar, com apoio dos professores, na intenção de se achar soluções para atual situação", escreve.

"Dezembrada"
O movimento de resistência da comunidade acadêmica da Unimep foi intitulado como "Dezembrada" (nome dado em homenagem ao movimento semelhante ocorrido em 1985 chamado "Janeirada"), e ocorreu de forma pacífica, conquistando solidariedade do povo da cidade. Segundo o vice-presidente da Adunimep, Marco Aurélio de Castro Ribeiro, a população entendeu que a crise da Instituição pode afetar a comunidade como um todo, por isso aplaudiu a passeata e permitiu que não houvesse necessidade de agentes de trânsito ou da polícia militar para acompanhar o trajeto.

"O piracicabano tem uma forte ligação com a Unimep, muitos deles estudaram lá ou têm seus filhos na Instituição e reconhecem a importância do trabalho realizado na Universidade para o desenvolvimento do município e da região" , explica.

Marco Aurélio ainda rechaçou as palavras do reitor Davi Barros insinuando que os alunos eram massa de manobra do movimento docente: "Os alunos da Unimep têm identidade e senso crítico e estamos unidos por entender a perda significativa que aflige a todos com estas demissões", declarou.

Dívida
De acordo com a diretora da UEE-SP, Marina Cruz, a universidade acumula uma dívida de 30 milhões de reais e a reitoria se baseia nesses dados para justificar o corte de bolsas, o impedimento do aumento de salários e a demissão de funcionários e professores.

Ela explica que a luta dos manifestantes é sustentada por duas bandeiras: a primeira pela qualidade da educação e manutenção dos docentes. E a segunda exige que, conforme legislação interna, qualquer decisão tomada pela reitoria passe pelo Conselho.

A estudante Jéssica diz que as únicas explicações dadas pelo reitor Davi Ferreira Barros, por meio de documento escrito, foi que a "instituição vem operando em déficit operacional há quatro anos e que a folha de pagamento (no acumulado até outubro de 2006) está em percentual de 82,6% da receita líquida".

Acompanhe as movimentações dos estudantes e dos professores pelo site da "Dezembrada": http://www.dezembrada.blogspot.com/



Lígia Hipólito


 
 



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