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9 de outubro de 2006
Ex-diretora da UNE, Manuela é eleita deputada federal

A vereadora e ex-diretora da UNE, Manuela D'Avila, acompanhada de outros candidatos egressos do movimento estudantil, vai engrossar a fileira de candidatos a deputado federal que se elegeram nestas eleições

A Câmara dos Deputados terá uma renovação de 46% em 2007. Dos 513 parlamentares, 246 vão assumir um mandato pela primeira vez, o maior índice desde 1994. No embalo dessa mudança, candidatos jovens que tiveram passagens pelo movimento estudantil ocupam cada vez mais cadeiras no Congresso, espaços antes preenchidos pelos caciques da política nacional. Nas últimas eleições, concorreram 237 candidatos na faixa etária de 18 a 24 anos, destes, 54 almejavam a Câmara Federal.

Manuela D’Avila encabeça esse grupo. Jornalista formada pela PUC-RS, 25 anos, pode ser comparada ao "fenômeno" no país do futebol. Em 2003, foi vice-presidente regional Sul da UNE, deixou a entidade para eleger-se a vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, com 9.498 votos. Agora, está de malas prontas rumo a Brasília, onde será a segunda mais jovem parlamentar. Novamente de forma arrebatadora, com mais de 270 mil votos nas eleições, sendo a terceira deputada federal mais votada no Rio Grande do Sul.

Ainda que involuntariamente, Manuela traz consigo a combinação perfeita para transformá-la também num fenômeno midiático. Não bastassem os caminhões de votos, é uma mulher muito bonita. É educada e graciosa na mesma medida que contundente. Se expressa com a clareza de quem foi líder do movimento estudantil, reconhecida escola de tantos líderes.

Desde que seus votos começaram a disparar, Maunela busca tempo para dar entrevistas. Desde domingo, conversou com mais de sessenta veículos de comunicação, entre a chamada grande mídia nacional, como a Folha de S.Paulo e a rádio CBN, a imprensa local de Porto Alegre e veículos comunitários.

Em entrevista nesta terça (2) à CBN nacional, ela deu mostras da sua personalidade política. Questionada pelo jornalista Carlos Sardenberg sobre os motivos do sucesso nas urnas, foi taxativa: "Atribuo a qualidade do nosso mandato à credibilidade do meu partido; aos projetos que aprovamos, sempre em diálogo com a comunidade; e também ao fato de eu estar do lado certo, com o presidente Lula".

Movimento Estudantil
Enquanto vereadora, Manuela criou o Conselho de Juventude do seu mandato e implantou uma espécie de "mandato itinerante", iniciativa em que percorreu escolas e bairros levando até a população informações sobre a sua atividade e colhendo opiniões dos moradores. É de sua autoria a lei que instituiu a meia-entrada para estudantes em Porto Alegre.

Sobre a contribuição do movimento estudantil para a sua vida política, ela destaca o aprendizado da saudável disputa de opiniões. "O movimento estudantil foi a porta de entrada para a minha vida política. Foi na UNE, participando dos Congressos, dos debates, que eu aprendi a respeitar, conviver e dialogar com a diversidade e pluralidade de idéias", diz.

Elismar Prado, mineiro da cidade de Uberlândia, concorda. Egresso do movimento estudantil, ele acaba de ser eleito para a Câmara pelo PT-MG. Elismar foi coordenador do DCE da Universidade Federal de Uberlândia e diretor de movimento estudantil da UNE, de 2003 a 2004, quando foi eleito vereador de Uberlândia, com mais de 8.015 mil votos. Nas eleições para deputado federal, Prado também teve uma votação expressiva, conquistando 93.476 de votos.

Futuro companheiro de Manuela, ele diz que a principal contribuição do movimento estudantil foi a percepção da educação como estratégia para o desenvolvimento sócio cultural. "Enquanto fui vereador, percebi como, por meio da educação, a gente consegue formar um cidadão mais crítico e mais consciente", ressalta.

Outro parlamentar que já passou pelo movimento estudantil é Leonardo Picciani, 26 anos, reeleito deputado federal pelo PMDB, com mais de 170 mil votos. Com a experiência de um mandato, ele espera que a companhia dos deputados jovens seja no sentido de somarem forças na Câmara para defender as pautas que envolvem, principalmente, as políticas públicas para a juventude.

Rumo a Brasília
Questionada pelo EstudanteNet se o fato de ser mulher e a mais jovem parlamentar da Câmara pode causar um certo peso em suas costas, Manuela é enfática: "Responsabilidade a gente tem que ter em qualquer cargo que ocupamos, seja na UNE ou na Câmara. Hoje, o Congresso até tem parlamentares comprometidos com as reivindicações da juventude, mas no meu caso é diferente, porque eu acabei de sair do movimento estudantil, e minha proposta é ser uma representante direta dos interesses dos jovens na Câmara Federal. A idéia é ampliar esse diálogo, trazer para dentro da Câmara o movimento estudantil", diz.

E completa: "Assim, vamos discutir as reivindicações dos estudantes, as grandes campanhas, para mostrar que a juventude precisa ser protagonista, cobrar, discutir e participar das ações do governo. Meu mandato continuará sendo de luta, na rua".

Da Redação


Saiba mais sobre a deputada eleita, Manuela D'Avila:
Vídeo Portal Uol (para assinantes)
Entrevista e vídeo Portal Terra
Site Oficial Manuela D'Avila


Leia mais:
Especial Eleições 2006: seleção de matéria publicadas pelo EstudanteNet


 
 



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