Na última sexta feira (11), cerca de 5 mil jovens promoveram um grande ato pelas ruas de São Paulo em comemoração ao dia do estudante. A data também marcou a celebração do 69º aniversário da UNE. Dentre as bandeiras levantadas pelos estudantes, estavam a reivindicação da melhoria do ensino público e a democratização do ensino em universidades estaduais e federais.
Na capital paulista, a concentração para a manifestação aconteceu em frente à Assembléia Legislativa. Os estudantes percorreram toda a Av. Brigadeiro Luiz Antônio. No cruzamento com a Av. Paulista, numa breve parada, os manifestantes se uniram numa só voz para cantar o hino nacional. A marcha, que chamou atenção dos paulistanos durante seu percurso, seguiu até o Largo São Francisco em ritmo de protesto.
Apesar do grande número de participantes e do caráter comemorativo do ato, o que chamou a atenção foi o fato de que nenhum veículo de comunicação, muitos deles presentes à manifestação, noticiou a passeata promovida pelas entidades estudantis. A organização da manifestação acha estranho que um ato de tamanha proporção tenha sido ignorado pela mídia e suspeita ter havido um boicote por parte da imprensa paulista.
Bandeiras
Com gritos de guerra e muita batucada, os estudantes fizeram muito barulho, expressando patriotismo e indignação, com rostos pintados de verde e amarelo. Entre as reivindicações, estavam o direito à meia-entrada em eventos culturais e esportivos, a aprovação do projeto da Reserva de Vagas e da Reforma Universitária e a defesa do passe estudantil no transporte público.
O presidente da UNE, Gustavo Petta, ressaltou que "a juventude não deve, nem vai cruzar os braços, pois conhece seus direitos, quer participar e intervir no futuro político do país e não lhes falta disposição para lutar". Petta acrescenta que é preciso esse tipo de manifesto para que as autoridades políticas tomem ciência da insatisfação com relação ao modo como se tem conduzido a educação. "Se nós não brigarmos pelos direitos da classe estudantil, quem o fará?", questionou.

O diretor da UBES, Osvaldo Lemos, enfatizou a importância da mobilização para que os jovens possam impulsionar as mudanças no país. "Essa mobilização tem objetivo também de combater a política neoliberal, que impera há 12 anos no estado de São Paulo e desmontou a educação", avaliou.
A presidente das UMES-SP (União Metropolitana dos Estudantes), Michelle Bressan, soltou a voz, manifestando a indignação coletiva com o atual descaso com a educação. Ela acredita que é preciso protestar, pois somente a união dos estudantes e movimentos estudantis serão capazes de fomentar mudanças expressivas no Brasil.
Entidades elaboram documento
As entidades estudantis elaboraram um documento, com propostas baseadas no Projeto Brasil, da UNE e UBES. Os documentos foram entregues ao senador Aloísio Mercadante na concentração final da passeata. O senador, que no passado foi militante do movimento estudantil, enfatizou a importância da luta dos jovens, desde o inicio nos anos 70, quando as ruas foram tomadas para protestar contra ditadura e, durante a campanha pelas Diretas Já e pelo impeachment do governo Collor. "É fundamental que haja a participação dos jovens para propor mudanças efetivas no quadro político do país", disse.
Lígia Hipólito