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14 de novembro de 2006
5ª Bienal da UNE ganha o apoio de Martinho da Vila

O presidente da UNE, Gustavo Petta, e o coordenador de música da 5ª Bienal de Cultura da UNE, Felipe Reddó, foram recebidos nesta segunda-feira (13), em São Paulo, pelo cantor, compositor e escritor, Martinho da Vila. O objetivo do encontro foi apresentar o festival universitário ao artista, fechar detalhes de sua apresentação e convidá-lo para compor uma mesa de debate que vai abordar a temática desta quinta edição: "Brasil-África: um Rio chamado Atlântico".

Conhecido como o "embaixador" do Brasil na Angola, pelo fato de ter uma relação muito próxima com o país africano, Martinho se dispôs a ajudar a UNE em alguns contatos com artistas angolanos e confirmou sua presença na Bienal.

Para ele, é interessante que o movimento estudantil esteja levantando essa discussão sobre a relação com a cultura africana. "O tema ainda é pouco debatido. E se hoje ele está na pauta, foi uma longa luta do movimento negro", disse.

Martinho fala com a autoridade de quem é um militante antigo do movimento negro. Em sua página na Internet, a ex-governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, o considera "uma das mais importantes lideranças dos movimentos negros do Brasil".

"Ele é o nosso Zumbi. O investimento dele nesta área é muito grande. Ele é uma pessoa plural – uma pessoa que abriga todas as vertentes. Diria que ele extrapola os movimentos. Ele não só é uma força unificadora para a raça negra, como abrange todas as raças. É uma grande liderança. Ele é do negro, o cantor das mulheres, ele é político, é considerado o nosso poeta maior. Ainda que procurasse da primeira à última letra do alfabeto, não encontraria uma palavra para definir a importância do Martinho da Vila", completa.

Martinho deve fazer um show no dia 29 de janeiro. A proposta do coordenador de música, Felipe Reddó, é promover neste dia um encontro de sambistas, celebrando uma das mais importantes manifestações da cultura brasileira. "O Martinho da Vila já representa muito do que é o samba brasileiro. Mas vamos tentar reunir outras personalidades e quem sabe promover um grande encontro de samba", prevê.

Martinho da Vila
Sua carreira artística deu um salto após o III Festival da Record, em 1967, quando concorreu com a música "Menina Moça". O sucesso veio no ano seguinte , na quarta edição do mesmo festival, lançando a canção "Casa de Bamba", um dos seus "clássicos".

Seu primeiro álbum "Martinho da Vila", lançado em 1969, inclui, além de "Casa de Bamba", músicas como "O Pequeno Burguês", "Quem é Do Mar Não Enjoa" e "Prá Que Dinheiro" entre outras menos populares como "Brasil Mulato", Amor Pra que Nasceu" e "Tom Maior".

Logo tornou-se o primeiro sambista a ultrapassar a marca de um milhão de cópias com o CD "Tá delícia, Tá gostoso", lançado em 1995.

Sua dedicação à escola de samba do coração, Unidos de Vila Isabel, iniciou em 1965. Desde essa época, assina vários sambas-enredo da escola.

Martinho da Vila é um legítimo representante da MPB e compositor eclético, tendo trabalhado com o folclore e criado músicas dos mais variados ritmos brasileiros, tais como ciranda, frevo, côco, samba de roda, capoeira, bossa nova, calango, samba-enredo, toada e sambas africanos.

Seu espírito de pesquisador incansável viaja desde o disco "O canto das lavadeiras", baseado no folclore brasileiro, lançado em 1989, até o mais recente trabalho "Lusofonia" , lançado no início de 2000, reunindo músicas de todos os países de língua portuguesa.

Em setembro de 2000 concretizou, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, um de seus projetos mais cultuados: a apresentação do "Concerto Negro". Idealizado por Martinho e pelo maestro Leonardo Bruno, o espetáculo enfoca a participação da cultura negra na música erudita.

Para cuidar de suas diversas atividades, criou o Grupo Empresarial ZFM abrindo as portas para sambistas com um selo musical e inaugurando sua própria editora, com seu primeiro romance "Joana e Joanes".

5ª Bienal
A 5ª Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UNE é o maior festival universitário do país. Esta edição vai acontecer no Rio de Janeiro, de 27 de janeiro a 2 de fevereiro.

Para os interessados em apresentar trabalhos, as inscrições estão abertas até o dia 4 de dezembro, nas áreas de Literatura, Ciência e Tecnologia, Música, Artes Ciências, Arte Visuais, Cinema e Vídeo. O regulamento e ficha de inscrição estão disponíveis no site da UNE. Outras informações: cuca@une.org.br 


Da Redação


 
 



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