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Cultura dentro do Bolso

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Ao cantar a sua quebrada, o rapper Kendrick Lamar fala a todos aqueles sofrem de racismo e discriminação social

O período é de férias e em muitas universidades Brasil afora a realidade é de paralisação devidos as greves nas federais. Mas como a cultura não pode parar a nossa coluna desta semana traz uma dica comentada especial do rapper que tem dado o que falar nos EUA. A Cultura dentro do Bolso é colaborativa. Se você quiser escrever sobre uma sugestão cultural bacana, escreva para a gente no redacao@une.org.br. Bom fim de semana, galera!

Com Kendrick Lamar, o rap volta para as ruas nos EUA, por Bruno Huberman

Recentemente, ativistas do movimento negro norte-americano usaram versos de um rap como hino para se manifestarem contra a polícia no último domingo, 26, na cidade de Cleveland, nos Estados Unidos.

Os membros do grupo Black Lives Matter participavam de conferência em uma universidade local quando viram soldados da polícia prendendo um garoto de 14 anos que, supostamente, estaria sob efeito de drogas dentro de um ônibus.

Os protestantes bloquearam a rua e passaram a cantar o refrão de “Alright”, faixa do álbum To Pimp a Butterfly, do rapper norte-americano Kendrick Lamar: “We gonna be alright [tudo vai ficar bem]”, bradavam. Os policiais usaram spray de pimenta para dispersar o grupo.

Kendrick é um tipo raro de rapper que surgiu nos EUA nos últimos anos. Em uma época em que a ostentação de carros luxuosos e mulheres bonitas estão nas letras e nos clipes dos mais famosos artistas do gênero, Kendrick une sofisticação musical — misturando elementos do rap com o jazz, o funk e a música eletrônica — e letras políticas, que falam da situação da população negra no país.

A cultura hip-hop e, em especial, o rap, surgiu nas periferias das grandes cidades norte-americanas, principalmente de Nova York, nos anos 1970 como uma forma de expressão desta população marginalizada, principalmente daqueles de descendência africana.

O Gangsta Rap se tornou um estilo dos mais populares nos EUA ao falar sobre a brutalidade da policia, os problemas sociais que afetam as comunidades e as brigas entre as gangues.

Contudo, o sucesso do rap mudou o status social dos seus músicos, que passaram a cantar sobre os seus cordões de ouro, as mansões em que moravam e o carrões que dirigiam.

A música de Kendrick devolve o rap engajado politicamente com denúncias aos abusos policial e a situação dos negros na América de volta ao mainstream da indústria musical em um momento de muita tensão social no país.

O rapper cresceu em Compton, um bairro no subúrbio de Los Angeles, tomado por gangues negras e latinas, que disputam o domínio do território e do tráfico de drogas. No início de julho, ele lançou uma linha de tênis para tentar promover a paz entre duas gangues violentas do bairro.

As letras do seu disco contam histórias de sua adolescência, cercada por casos de assassinato e outros crimes. Ao falar de sua quebrada, Kendrick — que ainda mora em Campton — fala para todos aqueles que sofrem com o racismo e a discriminação social até hoje, esteja morando nos EUA, no Brasil ou qualquer canto do planeta.

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