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Cultura dentro do Bolso

 

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Bonsai, do chileno Alejandro Zambra é dica comentada de da coluna de hoje

A volta as aulas tá chegando com tudo e a programação cultural nas universidades desse Brasilzão também. Separamos umas exposições bacanas além de alguns espetáculos que vão ocorrer nesta semana. E a dica comentada traz o chileno Alejandro Zambra com suas narrativas curtas com gostinho de quero mais. Aproveitem!

Goiânia – GO

O que? Mostra itinerante Triangulações, trabalhos inéditos de 45 artistas contemporâneos atuantes em Goiânia, Salvador e Fortaleza. A proposta é promover um intercâmbio entre artistas e produções nacionais de diferentes localidades e de deslocar o circuito artístico para outras partes do Brasil. Três eixos conceituais, a partir da temática Registros Circunstanciais : Intervenções, Fabulações, Apagamentos, perpassam as obras da mostra, como referência a figura geométrica do triângulo. O conceito de Intervenções está presente nas obras que procuram evidenciar a ação de deixar marcas no mundo, inscrever a criação sobre os materiais onde o artista intervém.

Quando? Até o dia 31 de agosto.

Onde? Centro Cultural UFG ((Av. Univeristária, 1533)

Quanto? Entrada gratuita.

Salvador – BA

O que? Exposição Bahia é África Também.  Cerca de 100 obras que caracterizam a riqueza e a diversidade da produção cultural africana do século XX, expressada em objetos, sobretudo máscaras, escultura de diversas etnias e localidades da África.

Onde? Palacete das Artes (Rua da Graça, 289 – Graça)

Quando?  Até 25 de outubro. Terça a sexta, das 13h às 19h. Sábado, domingo e feriado, das 14h às 19h.

Quanto? Entrada gratuita.

Belo Horizonte – MG

O que? Orquestra La Noche Cubana no projeto Palco Livre do Conservatório UFMG. O projeto vai celebrar a o melhor da música latina na cidade de Belo Horizonte. Composta pelos músicos Rafael Leite (Timbales), Bosco de Oliveira (Tumbadoras), Ruben “Cubanito” Santillana (Vocais), Bruno Malaguti (Piano), Gilles Villeneuve (Baixo), Tiago Ramos (Sax), Juventino Dias (Trompete) e Danillo Mendonça (Trombone).

Quando: 1 de agosto às 20h.

Onde?  Conservatório UFMG – Av. Afonso Pena, 1534 – Centro BH/MG

Quanto? Entrada gratuita.

Porto Alegre – RS

O que? Espetáculo “Sarah”, atividade do Projeto Teatro Pesquisa e Extensão da UFRGS. O espetáculo coloca em cena a visão de mundo da britânica Sarah Kane, considerada uma das maiores dramaturgas do final do século XX. Criada a partir de recortes de cinco peças de autoria de Sarah Kane (“Blasted”, “Amor de Fedra”, “Cleansed”, “Ânsia” e “Psicose”), o espetáculo “Sarah” expõe as relações de poder entre opressores e oprimidos, dilacera a hipocrisia social e devora cada pedaço do ser fragmentado que constitui o homem contemporâneo. Invasão, coação, ruptura, corte, estupro, violência real, não caber no próprio corpo, na própria família, no mundo, no sistema e no status quo são temas que aparecem na montagem de “Sarah”.

Quando? Quartas-feiras de agosto (dias 12, 19 e 26), às 12h30 e 19h30 (duas apresentações por quarta-feira)

Onde? Sala Alziro Azevedo do DAD-IA/UFRGS (Av. Salgado Filho, 340)

Quanto?  Entrada gratuita.

Dica comentada por Cristiane Tada

Literatura Latina neles!

A fase dos autores latino americanos parece realmente que não passa para mim. Resolvi ler o chileno Alejandro Zambra, depois dele lançar um livro atrás do outro, com sucesso no Brasil. Então fiz direitinho e comecei pelo começo, com Bonsai (2012), seu romance de estreia, que já tinha sido indicado pelo meu primo.

Bom, os livros do Zambra são fininhos, o falatório é enxuto, mas nem por isso menos delicioso. Comecei Bonsai ainda naquele estranhamento/desconfiança “que será que a galera viu nesse cara?”. Mas antes do livro acabar já comecei a degustar as palavras devagarzinho, como se faz com o último pedaço de um doce que você adora.

Logo no início já me encantei com a originalidade.  “No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho antes da morte dela, de Emilia. Digamos que ela se chama ou se chamava Emilia e que ele se chama, se chamava e continua se chamando Julio. Julio e Emilia. No final, ela morre e Julio não morre. O resto é literatura.” É ou não para se amarrar?

Os personagens são jovens e tem pouca ou nenhuma certeza na vida. Senti também uma espécie de imobilidade na personalidade, os anos passam, ele se acostumam as novas circunstâncias, mas não muda o ‘jeito da madeira’.

Como nessa passagem : “Julio sabia que estava condenado a seriedade, e tentava, obstinadamente, torcer seu destino sério, passar o tempo na estoica espera daquele espantoso e inevitável dia em que a seriedade chegaria para se instalar para sempre na sua vida”.

A história é um relato pouco romantizado do relacionamento entre os dois, mas o protagonista com certeza é Júlio. É dele a metáfora que compara o amor e arte de escrever a um bonsai, que precisa ser aparado e ter cortada algumas partes. Para mim Zambra corta na medida e seu texto nunca comete excessos.

E deixa eu dar uma dica com gostinho de spoiler, esse Júlio que cuida de um bonsai continua no próximo livro do que pode ser considerado uma continuação sem vínculo. Mas essa já é outra história…

Bonsai, Alejandro Zambra. Editora Cosac Naif.

Na Estante Virtual a partir de R$ 17 aqui.

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