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AULA-ESPETÁCULO HOMENAGEIA ABDIAS NASCIMENTO

Abdias Nascimento: negro, economista, deputado, senador, artista, ativista. Morreu em maio de 2012, aos 97 anos, deixando um forte legado na construção do perfil do negro como cidadão de direitos. Teve ainda papel fundamental na desconstrução do preconceito racial no país.

Abdias (1914-2011) é o grande homenageado da mostra de artes cênicas na 9ª Bienal da UNE, que acontece de 1 a 6 de fevereiro na Lapa, Rio de Janeiro. Como parte dessas homenagens, o espetáculo “Abdias de Pai para Filho” irá abrir a mostra convidada da área na segunda-feira (2), a partir das 18h30, na Fundição Progresso. A encenação narra a trajetória de Abdias Nascimento a partir da ótica de seu filho Bida Nascimento.

Entre canções, crônicas, textos e imagens de uma memória afetiva, a apresentação explora o conflito e a dificuldade de enquadramento social do negro que enfrenta as contradições para ser aceito como cidadão.

Bida Nascimento iniciou carreira artística no Teatro Popular Solano Trindade, na Grande São Paulo. Possui trabalhos em teatro, cinema e televisão e atua como ator e músico. Foi ele quem bolou toda a estrutura do espetáculo que promete esquentar a Bienal. Confira a entrevista com o artista para entender um pouco mais sobre o espetáculo. Tem surpresa por aí!

Ao longo dos últimos 80 anos, Abdias sustenta merecido destaque na afirmação da identidade afro-brasileira. Levantou-se contra a opressão e foi condutor da exaltação de um grito pela liberdade. Como você encara o eco da luta do seu pai nos dias de hoje?

Alguns objetivos foram alcançados. A luta continua, mas ainda estamos longe de uma igualdade total dos povos. A semente plantada, pensando no âmbito nacional de políticas públicas, é muito importante porque conseguiu juntar varias tendências e pensamentos socialistas em uma atividade permanente e pluralista para o desenvolvimento da sociedade.

Tendo como mote esses avanços, qual é o papel do espetáculo “Abdias de pai para filho” na 9ª Bienal da UNE?

O objetivo principal desse espetáculo é expor momentos de convivência que tive com meu pai quando jovem. São detalhes que viraram acontecimentos importantes no meu próprio desenvolvimento artístico, no do meu pai e no dos companheiros que também participam da apresentação. O Ricardo Pavão, por exemplo, dividia quarto comigo quando ainda era jovem. Alexandre Santini aproximou-se muito do meu pai nos últimos anos e sempre esteve presente. Em geral, todo o grupo teve muito contato com ele.

Esse espetáculo é um grande apanhado de memórias afetivas. As memórias históricas, os registros da luta de Abdias, estão espalhados pelas bibliotecas, já temos em livros e filmes. Essa história, não. São histórias que aconteceram dentro de casa, vieram das músicas que escutávamos juntos, dos livros que líamos. Todo enredo acontece a partir da minha própria ótica. Começa nos anos 1950, data em que nasci, e não se evapora na data da morte dele. Termina na época em que eu fui me afastando de todo apego da casa do pai, de quando ainda morava nas asas dele.

Abdias Nascimento participou ativamente da construção cultural da UNE. Como é dar continuidade a esse processo durante a Bienal da UNE?

Não é a primeira vez que participo desse processo cultural. Durante a 7ª Bienal da UNE fizemos o espetáculo “UNE CANTA BRASIL”, comemorando os 50 anos do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE. Quando surgiu a ideia de lançar o espetáculo aqui na Bienal eu a abracei com muito carinho. Nada mais justo do que estar aqui, remexendo esse caldo e fazendo com que o perfume da arte reapareça. Que possamos cantar a cultura muitas e muitas vezes!

Você já não quer adiantar alguma novidade sobre o espetáculo?

Vai ter surpresa — tem que ficar ligado!

FICHA TÉCNICA DO ESPETÁCULO “ABDIAS DE PAI PARA FILHO”

Alexandre Santini – Gaita e voz
Adalberto “Pimpolho”- Percussão e voz
Bida Nascimento – Violão e voz
Luciana Pedroso – Voz e percussão
Paulinho Andrade – Percussão e voz
Ricardo Pavão – Voz e percussão

Da Redação

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