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HÁ 32 ANOS, UNE ELEGIA SUA PRIMEIRA MULHER PRESIDENTA

Em 1982, a estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Clara Maria Araújo, de 21 anos, era presença garantida e voz ativa no movimento estudantil. Mesmo com as constantes ameaças diretas e indiretas que a ditadura militar representava, a estudante acreditava na volta da democracia.

A força e constante participação no movimento rendeu a Clara a inédita eleição de uma mulher à presidência da UNE, no 34º Congresso da entidade, em novembro de 1982, em Piracicaba, interior de São Paulo. O Congresso reuniu cerca de 4 mil jovens que tentavam reestruturar o movimento estudantil no Brasil depois da Lei Suplicy de Lacerda jogar na ilegalidade toda e qualquer forma de organização estudantil.

Foi um período nefasto para os estudantes brasileiros. Um dos primeiros atos da Ditadura Militar foi incendiar o prédio da UNE na Praia do Flamengo, 132, no Rio de Janeiro. Desde 1980, quando o prédio foi demolido por ordem do presidente João Batista Figueredo, a UNE se instalava no antigo casarão da Rua do Catete, nº 234.

Com uma mulher à frente da UNE, os estudantes apoiaram e mobilizam o 1º comício pró-diretas quando 10 mil pessoas lotaram o Pacaembu, em 1983, em São Paulo, pela eleição direta para Presidente da República.

E o machismo? “Minha prática no movimento estudantil já me ensinara que o machismo existia e sabia que isto pesaria, mas creio que no final consegui quebrar certas resistências”, comentou Clara em uma entrevista para Jornal Sou Repórter do curso de Jornalismo da Unimep. A UNE tem certeza disso. Clara abriu o caminho para Gisela Mendonça (1986-1987), Patricia de Angelis (1991-1992), Lúcia Stumpf (2007-2009) e a atual presidenta Virgínia Barros (2013 -2015) chegarem ao posto de maior liderança do movimento estudantil brasileiro, presidindo a entidade que, há 75 anos, é o exemplo máximo da luta por direitos de cerca de 7 milhões de universitários hoje.

Ao longo da história, as presidentas pautaram importantes bandeiras para uma sociedade mais justa onde homens e mulheres lutam e avançam lado a lado. Defendendo bandeiras como a legalização do aborto, o combate ao machismo e à homofobia, a defesa de mais direitos para as estudantes grávidas e com filhos e a promoção de mais mulheres aos espaços de direção do movimento estudantil e na política em geral.

“Hoje, somos maioria entre as estudantes universitárias, entre os eleitores, e temos a primeira mulher na Presidência da República. Estamos cada vez mais nos espaços de poder, mas ainda temos muito que avançar. A UNE vai continuar pautando o feminismo como uma das suas principais lutas, porque as mudanças na estrutura da nossa sociedade passam obrigatoriamente pela universidade”, destacou a atual presidenta Vic Barros.

Até que todas sejam livres, #SomosTodasFeministas

 Da Redação com informações do Sou Repórter

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