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ESTUDANTES LATINO-AMERICADOS DA UNILA QUEREM MAIS

Estudantes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) realizaram um protesto na última sexta-feira (25/04) em Foz do Iguaçu, no Paraná. De acordo com o estudante de Cinema, Rafael Gomes, o movimento visou fortalecer a intervenção dos discentes na reunião do Conselho Universitário que ocorreu na mesma data. A ação foi organizada pelo Coletivo “P’ra quem tem disposição”, da qual Rafael e estudantes de vários cursos participam e que tem identificado uma postura antidemocrática no atual reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho, e principalmente, desrespeito ao projeto de integração latinoamericana, principal característica a instituição.

Dos 1.600 matriculados nas 16 graduações hoje oferecidas, 57% são de países como Paraguai, Argentina, Chile e Peru. Os alunos são escolhidos por processos seletivos realizados pelos países vizinhos. Entre os professores a porcentagem é de 20% de estrangeiros.

A principal reivindicação dos estudantes é o cumprimento do regimento interno, que prevê o sistema paritário nos órgãos da instituição. De acordo com Rafael, a paridade foi aprovada durante a gestão do reitor Helgio Trindade e hoje está sendo inviabilizada pelo atual reitor, através do procurador da universidade, que recusou o registro do primeiro instituto paritário da universidade, o ILAESP.

O Coletivo fez um vídeo reivindicando a paridade que já tem mais de 4 mil visualizações no youtube. Assista aqui.

Os estudantes também exigem medidas de infraestrutura urgentes. “As obras de construção do campus estão anos atrasadas. Todas as instalações da UNILA são provisórias. Não há acesso à biblioteca e computadores. Não há restaurante universitário e sequer uma fotocopiadora”, destacou. Desde 2010, quando a Unila iniciou as atividades, as aulas ocorrem de modo improvisado em salas oferecidas dentro do Parque Tecnológico da Itaipu Binacional e em um prédio antigo no centro de Foz do Iguaçu, antiga UNIFOZ.

Assistência

As políticas de assistência estudantil também são alvo dos protestos. Os estudantes alegam que a oferta de assistência estudantil está perdendo alcance, ao mesmo tempo em que a Unila sofre o maior problema de evasão entre as universidades federais. Esta semana o jornal O Estado de São Paulo divulgou matérias de destaque sobre a instituição de ensino e divulgaram dados que o investimento em assistência cresceu 10% para 2014. Porém, de acordo com os estudantes, o número de alunos cresceu mais do que o investimento em assistência estudantil.

Segundo o estudante de Antropologia, Jimmy Carter, a cota de assistência para estrangeiros tem diminuído. “Existe uma lista de espera, mas estes estudantes estão com fome e não tem como se sustentar. Essa matéria que saiu no ‘Estadão’, só está servindo para abafar os problemas”, destacou.

O estudante conta que em 2012 eles realizaram um fórum sobre assistência estudantil. “Definimos que deveria haver reformulação na distribuição da assistência, que no segundo fórum seria organizado um conselho de assistência estudantil e agora estamos encontrando resistência para realizar o evento”, afirma.

Expansão

Outro ponto de questionamento é a recente expansão anunciada pela reitoria, de vinte e cinco novos cursos. De acordo com os estudantes, eles foram criados sem as nomenclaturas que a reitoria havia recentemente tentado tirar dos cursos existentes para atender a antigos parâmetros do MEC. São elas: Infraestrutura, Integração, Sociedade, Diversidade, América Latina e Biodiversidade.

“Além disso, a Unila está reduzindo a contratação de professores para o ciclo básico, principal item curricular, que assegura o conhecimento em América Latina e o bilinguismo da instituição. Na última reunião extraordinária do Conselho Universitário, o reitor abandonou a presidência da mesa, sem dar resposta a este tema”, explicou Rafael.

O ciclo básico compreende o ensino da disciplina de América latina, espanhol e filosofia.

O Coletivo “P’ra quem tem disposição”, juntamente com um grupo de estudantes em mobilização na UNILAB, a Universidade da Integração da Lusofonia Afro-Brasileira, estão organizando um calendário de atividades conjuntas, que visa construir uma plataforma unificada e a aproximação com outras entidades em torno da construção de uma real proposta de Reforma Universitária.

O movimento irá lançar um manifesto exigindo medidas que contemplem as atuais necessidades destas instituições, criadas sob novos parâmetros. “A questão toda é o processo que está se dando na implementação da universidade. O projeto da Unila que queremos não é o mesmo que a Itaipu – que só quer técnicos e engenheiros para trabalhar nela. A Unila é um modelo de universidade que lamentavelmente não tem parâmetros, e que apesar de federal, não é uma instituição tradicional. Como uma universidade que congrega 11 países da América Latina pode não ser paritária nas suas instâncias de deliberação quase cem anos após a reforma de Córdoba?”, questiona.

Em 1918 os estudantes de Córdoba se levantaram por uma universidade a serviço do povo da América Latina. Para o secretário da Organização Continental latinoamericana e Caribenha de Estudantes (OCLAE), Mateus Fiorentini, dessa mesma maneira a Unila surgiu com o propósito de ser uma experiência de universidade compartilhada, produzindo um conhecimento compartilhado. “No momento em que a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) aprova a educação como um dos pilares do processo de integração e se constitui o Espaço Latinoamericano e Caribenho de Educação Superior (ELACES) buscando integrar os sistemas universitários de toda a região, onde o estudo da história e da cultura desta região estão sendo fortalecidos para consolidar o sentimento de unidade latinoamericana, esse tipo de ação por parte da reitoria parece ser intencional e joga contra esse processo. Por isso apoiamos os estudantes da Unila”, destacou.

 Da Redação

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