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PRAIA DO FLAMENGO, 132: PRIMEIRA PARADA DA DITADURA, PRÓXIMA PARADA DA DEMOCRACIA

Há exatos cinquenta anos, o Brasil era escurecido sob a confabulação de forças, civis e militares, que planejavam golpear o processo de debate político no país, encarcerar as ideias, proibir e matar os sonhos daqueles que pensavam diferente. O grande ato se deu na madrugada do dia primeiro de abril, com a chegada de uma ditadura cujo primeiro alvo foi um conhecido prédio situado no número 132 da Praia do Flamengo Rio de Janeiro. Era a sede da União Nacional dos Estudantes.

O ataque à sede da UNE se deu por dois métodos: o local foi metralhado e incendiado.  O objetivo era matar e queimar, não somente os estudantes, mas as ideias e reflexões que ali existiam sobre o país. Repleto de simbolismo, o prédio foi a antiga sede dos simpatizantes do nazifascismo durante a segunda guerra mundial. Ocupado pela UNE durante a época do conflito, foi oficialmente cedido ao movimento estudantil pelo então presidente Getúlio Vargas. Foi palco de eventos importantes como a campanha “O Petróleo é Nosso” nos anos 1950 e a visita do presidente João Goulart no início da década de 1960.

Uma das experiências mais produtivas que existiram ali foi o Centro Popular de Cultura (CPC da UNE) que reunia figuras como Cacá Diegues, Vinícius de Moraes, Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Goulart em processos de criação para diversas linguagens artísticas. A sede também servia como uma casa coletiva e colaborativa – talvez uma das primeiras que se tenha notícia no Brasil – para jovens de todas as regiões, que se integravam, planejavam e produziam um novo país.

Após o incêndio, o prédio ainda seria demolido, no início da década de 1980, com grande resistência dos estudantes em uma manifestação que durou dias, com diversos feridos. Foi um dos últimos atos de truculência da ditadura já enfraquecida. Já durante o período democrático, a UNE recebeu do presidente Itamar Franco, em 1993, novamente a posse do terreno, porém, o espaço havia sido ocupado por um estacionamento clandestino.

Em 2007, em uma grande manifestação pelas ruas do Rio, os estudantes reocuparam o local, montando um acampamento. No período seguinte, a Justiça deu ganho de causa à UNE e o legislativo brasileiro, de forma unânime e com a participação de todos os partidos, decidiu pela indenização do Estado brasileiro à entidade.

Atualmente, a UNE está construindo, no mesmo local, seu novo prédio, desenhado pelo ícone da arquitetura e amigo dos estudantes, Oscar Niemeyer, reerguendo também um pedaço da história brasileira e marcando uma nova etapa da democracia do país. O prédio abrigará um museu, um centro cultural, um teatro e outras instalações a serem ocupadas e utilizadas pela juventude e a população do Rio de Janeiro. 

Da Redação

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