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#FORAGALILEO: MEC SINALIZA DESCREDENCIAMENTO DA GAMA FILHO E UNIVERCIDADE

Símbolo da luta nacional contra a situação de descasos do ensino superior privado brasileiro, a luta dos estudantes da Universidade Gama Filho (UGF) e UniverCidade, no Rio de Janeiro, segue forte, agora, com a ocupação do MEC.

Após mais de 20h de viagem entre a capital fluminense e a capital federal, cerca de 50 estudantes ocuparam na manhã desta terça-feira (7/1) um dos auditórios do Ministério, cobrando soluções efetivas para a crise que se arrasta na universidade desde 2011.

O Grupo Galileo, mantenedor das instituições, não cumpriu medidas acordadas com o MEC, como o pagamento de salários atrasados de professores e funcionários.

Em dezembro, o ingresso de novos alunos na graduação e pós-graduação chegou a ser suspenso. Na semana passada, a mantenedora apresentou sua defesa à pasta. No entanto, o Ministério sinalizou o descredenciamento das instituições.

A estudante de medicina e coordenadora-geral de Saúde do DCE Gama Filho, Lívia Freitas, afirma que essa é a terceira vez que vem a Brasília desde o ano passado. ‘’Toda essa situação acaba prejudicando muito. Preciso recuperar minha vontade de estudar, a rotina dedicada que a Medicina exige. O grupo Galileo prejudicou não só os estudos, mas roubou isso também da gente”, lamentou.

NEGOCIAÇÃO

Após a ocupação, os estudantes foram recebidos pelo secretário do MEC, Henrique Paim, em uma reunião que durou mais de 5 horas. Os alunos da Gama Filho e UniverCidade aproveitaram para sanar todas as dúvidas referentes à continuação de seus estudos.

‘’A pior coisa do mundo é toda essa incerteza sobre a nossa situação. Ocupar o MEC foi a nossa última cartada. A nossa última esperança”, desabafou a estudante Geografia, Barbara Cardoso.

O ministro Aloizio Mercadante aceitou receber os alunos quase 8 horas depois do início da ocupação. Sucinto, Mercadante sinalizou que a UGF e a UniverCidade podem ser descredenciadas e seus estudantes transferidos para outras instituições.

‘’Nós buscamos todas as saídas, fomos ao Ministério Público, à procuradoria geral da União e a resposta que temos é a do descredenciamento. No entanto, nos foi prometido uma transferência assistida com garantias de continuarmos nossos estudos ainda em 2014. Agora temos um parecer, uma resposta palpável. A ocupação ainda vai pressionar pela intervenção. Essa é a melhora respostas que queremos”, avaliou o diretor da UNE, Igor Mayworm.

Para a diretora de relações externas do DCE da UGF, Ana Flávia Hissa, a posição efetiva do MEC ao menos, trouxe avanços. ‘’ Na verdade, a gente queria estudar, a gente queria uma solução real do MEC. Tudo estava muito nebuloso, a gente achava que ia ficar mais de um ano sem estudar mas o ministro garantiu que vamos começar 2014 estudando. Isso sim será uma vitória’’, falou.

Uma comissão formada por estudantes das duas instituições, por representantes da UNE e UEE-RJ e pelo ministério público acompanhará agora os trâmites das possíveis transferências assistidas.

ENTENDA O CASO

A crise nas universidades privadas cariocas começou após o Grupo Galileo Educacional comprar a Gama Filho e UniverCidade, em meados de 2011. Em dezembro do mesmo ano, o Galileo demitiu cerca de 800 pessoas, entre professores e funcionários, e não pagou seus direitos trabalhistas.

O grupo também impôs um aumento abusivo na mensalidade. Os reajustes variavam entre 18% e 40%, indo bem acima dos 5,9% determinados pela taxa de inflação da época. A UNE e UEE-RJ organizaram os estudantes e realizaram várias passeatas e protestos.A reitoria da UGF chegou a ficar ocupada durante 78 dias – no que foi a maior manifestação do tipo já ocorrida em uma universidade privada.

Em dezembro de 2013, o MEC instaurou processo administrativo contra a Universidade Gama Filho e o Centro Universitário da Cidade (UniverCidade).

Em agosto, o MEC já havia aplicado medida cautelar determinando a suspensão do vestibular para admissão de novos alunos e a transferência de estudantes da graduação e da pós-graduação em relação às duas instituições, que voltou a ser autorizado em outubro, a partir do pagamento dos salários dos professores e funcionários e foi retomada a normalidade acadêmica.

Renata Bars

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