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MULHERES SÃO A MAIORIA NAS UNIVERSIDADES

Com a chegada da família real ao Brasil, em 1808, foi construída a primeira universidade do país, destinada apenas a homens. Somente sete décadas depois, em 1879, as mulheres tiveram a oportunidade de se matricular nessa instituição. Porém, até a metade do século XX, o número de universitárias ainda era extremamente menor do que dos homens. 

 A realidade do século passado mudou e hoje as mulheres são a maioria na universidade brasileira. Segundo o CENSO do Ensino Superior de 2010, produzido pelo ministério da Educação, elas ocupam 57% das matriculas. O mesmo acontece na conclusão dos estudos, 60% das pessoas que chegam até o final dos cursos universitários são mulheres.

Porém, apesar dos avanços, a universidade e a sociedade continuam representando a cultura de machismo e exclusão  enraizada na construção da nossa sociedade.

Antecipando a luta que as feministas vão travar no próximo período por mais igualdade e fim do machismo, a diretora de Mulheres da UNE, Liliane Oliveira mediou no 14º CONEB a mesa “Mulheres Tranformando a Universidade”, com a participação da ex-presidenta da UNE, Lucia Stumpf, da secretária de Mulheres da Prefeitura da Caruaru, Elba Ravane, da representante do Conselho Nacional de Mulheres, Ana Carolina Teixeira, da representante da Marcha das Vadias do DF, Gil Piauilino e da representante da Macha Mundial das Mulheres, Joanna Paroli.

“O que há para debater se já somos maioria na universidade?”, provocou Lúcia, que logo respondeu. “Que ela seja capaz de nos receber”. Mais creches, assistência estudantil, currículos acadêmicos que abrangem a discussão de gênero, educação não sexistas são algumas das pautas que permeiam o universo feminista da UNE, lutando contra a mercantilização do corpo das mulheres, os trotes e calouradas machistas dentro das instituições de ensino.

“Queremos liberdade e autonomia para combater os comentários machistas de colegas e professores dentro das salas, lembrando que a formação acadêmica tem que ser humana”,  defendeu Gil. Ao dialogar sobre o que as mulheres querem da universidade brasileira, a discussão se estende também para a base dos problemas.

“A educação infantil deve ser tratada com prioridade. Devemos ensinar os nossos filhos de que existem outras alternativas que não a mercantilização, o preconceito e desigualdade. Isso fará a diferença na vida deles quando estiverem aqui dentro da universidade”, acredita Ana Carolina. 

Para levantar a voz e combater esse processo histórico, é preciso pensar não apenas na vida da estudante dentro da universidade, mas também fora dela. Ocupando as mesmas funções que um homem, as mulheres possuem um salário 70% menor.

Analisando a situação das mulheres dentro do setor educacional a desigualdade se repete. Apenas no ensino básico as profissionais do sexo feminino são maioria com 83%. No ensino fundamental 93% são professoras.

Nas universidades este número se reverte. Apenas 40% dos docentes são mulheres, o que mostra a diferença de gêneros quando um maior grau de conhecimento é exigido. O mesmo acontece nas reitorias, onde majoritariamente os cargos são ocupados por homens

“Somos maioria, mas não estamos dirigindo e produzindo conteúdo nestas instituições. A universidade ainda não é feminista e libertaria”, apontou Lúcia. A mercantilização do ensino privado também entrou em debate. ” A regulamentação do setor privado tem que acompanhar as lutas feministas. As empresas transnacionais não têm comprometimento com o modelo de educação que nós queremos”, contou Joanna.

Elas querem mais espaço para falar e serem ouvidas, mais espaço para participar das decisões fundamentais da sociedade. As mulheres conquistaram muito, mas ainda têm muito mais a alcançar. 

Para Elba, as políticas de acesso têm ajudado a entrada das mulheres nas universidades, porém acredita ser necessário uma reforma urgente na maneira das instituições receberem as estudantes. ” A universidade não acompanhou a transformação feminina.  Ela só irá se tranformar se as mulheres se unirem e entrarem fortemente na luta”, pontuou.

A auto-organização das mulheres é muito importantes para a luta. Pensando nisso, a diretoria de Mulheres da UNE organizará ainda no primeiro semestre de 2013 o V Encontro de Mulheres Estudantes (EME). Ainda sem local  definido, o evento terá como objetivo a discussão acerca das pautas feministas estudantis dentro e fora da universidade. “É importante manter esse diálogo. Estamos preparando um encontro bem diversificado com debates em novos modelos”, finalizou Liliane.

Thatiane Ferrari 

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