Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Manifestação para acelerar o processo de julgamento do coronel Ustra reúne centenas de estudantes

Tags:

Foi realizado, na última quarta-feira (27), um grande ato em frente ao Fórum João Mendes (SP), local em que ocorria o julgamento do coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-CODI na época da Ditadura Militar.

A ação foi movida pela família de Luiz Eduardo da Rocha Merlino, jornalista e militante do Partido Operário Comunista (POC), que foi cruelmente torturado e assassinado pela ditadura, em 1971, quando tinha apenas 23 anos. Testemunhas relatam que o comandante Ustra, pessoalmente, participou das seções de tortura.

Mas, no julgamento, o réu não compareceu. Para testemunhar os crimes cometidos e o assassinato de Merlino pelas mãos dos militares foram chamados ex-militantes do POC; o ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vanucchi; e o historiador e escritor Joel Rufino dos Santos. Estiveram presentes também o ex-dirigente sindical ferroviário Raphael Martinelli e o Deputado Estadual Adriano Diogo.

Os mais de cem manifestantes que foram acompanhar o julgamento não puderam entrar na sala da audiência e ficaram reunidos na praça em frente ao fórum. No chão, fotografias de militantes torturados e assassinados pela Ditadura. A União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) estava presente neste importante ato pela abertura dos arquivos da ditadura e pela Comissão da Memória, Verdade e Justiça, ao lado de membros do Grupo Tortura Nunca Mais, de estudantes do DCE da USP e do DCE da UNESP.

“Nossa entidade estudantil se fez presente. Temos compromisso com essa luta.

O movimento estudantil teve muitos de seus participantes e dirigentes sequestrados, torturados e assassinados pelo regime militar e, portanto, exigimos uma Comissão da Verdade sem reciprocidade! Honraremos a memória de centenas que lutaram e foram mortos por algo que consideramos um direito fundamental: a liberdade”, questionou Maíra Machado Pinheiro, secretária-geral da UEE-SP.

Ustra foi o comandante do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operação de Defesa Interna (Doi-Codi) do 2º Exército, em São Paulo. Ele já foi condenado em primeira instância e declarado torturador em uma ação movida pela família do jornalista em 2007. No ano seguinte, por 2 votos a 1, os desembargadores acataram o recurso dos advogados de Ustra e extinguiram o processo.

Vale ressaltar que a família de Merlino não quer indenização, quer apenas o desmonte da farsa de que o preso morreu atropelado porque tentara fugir.

Da redação

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo